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Traduzindo: “Baby Weddell Seals Have the Most Adult-Like Brains in the Animal Kingdom”

Foca de Weddell

“Focas de Weddell Bebês Têm o Cérebro Mais Adulto do Reino Animal

Com seus olhos grandes e brilhantes e pelagem felpuda, os filhotes de foca de Weddell são alguns dos recém-nascidos mais adoráveis do reino animal. Mas estas gracinhas estão longe de serem incapazes. Recente pesquisa publicada no periódico Marine Mammal Science [Ciência dos mamíferos marinhos] revela que os filhotes de foca de Weddell provavelmente possuem o cérebro mais parecido ao de um adulto do que qualquer outro mamífero ao nascer.

Os cérebros dos filhotes de foca, comparados às proporções dos cérebros de focas adultas, são os maiores já conhecidos entre todos os mamíferos. Os pesquisadores dizem que isto é ‘extraordinário’, considerando-se que os filhotes são bem pequenos ao nascerem, comparados a muitos outros mamíferos recém-nascidos.

Para chegar às descobertas, uma equipe de pesquisadores do Smithsonian Environmental Research Center e do National Museum of Natural History viajou para a Antártida para coletar amostras de filhotes. Eles tiraram proveito do fato de muitos filhotes de foca nunca chegarem à fase adulta por conta dos partos de natimortos, abandonos e mortes acidentais, como sendo esmagados por um adulto. Os cientistas coletaram 10 filhotes de foca mortos (que congelam rapidamente nas temperaturas da Antártida), fizeram algumas medições, os decapitaram e enviaram as cabeças congeladas ao Smithsonian. Incluiram, ainda, algumas cabeças de focas de Weddell adultas, uma das quais havia morrido em decorrência de uma toxemia* – possivelmente por ter sido perfurada por uma espinha de peixe – e outra, cuja causa da morte não pôde ser determinada.

De volta aos EUA, os pesquisadores descongelaram parte dos crânios em laboratório e – como um peru de Ação de Graças – retiraram manualmente o tecido dos rostos dos filhotes. Então, furaram os crânios para extrair os cérebros intactos. Finalmente, puseram os ossos em um tanque cheio de insetos carnívoros para remover qualquer vestígio de carne. Com os crânios e cérebros limpos em mãos, tiraram medidas e fizeram uso das medições de crânios das focas de Weddell mais antigas presentes na coleção do museu.

Notavelmente, a equipe descobriu que os cérebros das focas-bebês estão quase 70% desenvolvidos no nascimento. Compare isto aos bebês humanos, cujos cérebros contêm meros 25% da massa que virão a ter na fase adulta. Um comunicado do Smithsonian explica que animais bebês nascidos com cérebros proporcionalmente maiores costumam viver em ambientes desafiadores, nos quais necessitam agir rapidamente para sobreviver. Outros animais que compartilham desta característica incluem a maioria dos mamíferos marinhos, zebras e gnus.

Nos filhotes de foca de Weddell, cérebros maiores provavelmente auxiliam no mergulho sob camadas de gelo e na orientação debaixo d’água em idade inferior a 3 semanas – tarefas extremamente difíceis para qualquer mamífero, recém-nascido ou não. Os filhotes precisam se aclimatar rapidamente, uma vez que são abandonados pelas mães com 6 semanas de idade, mais ou menos, o que significa que precisam estar aptos a se defender quando este dia chegar.

No entanto, na natureza tudo têm seu preço. Os filhotes de foca de Weddell podem ter os maiores e mais desenvolvidos cérebros quando comparados aos que terão no futuro, mas este órgão requer uma energia exorbitante para se manter. Um filhote que pese aproximadamente 30kg [65 pounds], precisa de 30 a 50 gramas de glicose por dia para sobreviver, e a equipe estima que o cérebro faminto por energia responda, por si só, por 28 gramas desta demanda.

Felizmente para os filhotes de foca, o leite materno se equipara quase que totalmente às necessidades calóricas dos bebês. O leite das focas de Weddell proporciona algo como 39 gramas de açúcar por dia. Focas fêmeas, entretanto, perdem muito peso enquanto estão amamentando suas crias, o que põe em risco sua própria sobrevivência. Em detrimento de suas mães, os cérebros dos bebês são capazes de se desenvolver. Isto é, até que a mãe decida que já fez demais pela nutrição e deixe seus filhotes sobreviverem por conta própria.”

Por Rachel Nuwer.

*toxemia: também conhecida como bacteremia, é a presença de bactérias no sangue, que podem causar infecções.


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