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Traduzindo: “The Water On the Moon Probably Came From Earth”

“A água na Lua provavelmente veio da Terra

Em setembro de 2009, após décadas de especulações, a evidência de água na superfície da Lua foi descoberta. A sonda lunar Chandrayaan-1, lançada pela agência espacial indiana, havia criado um mapa detalhado dos minerais que compõem a superfície da Lua, e analistas determinaram que, em vários locais, as características das rochas lunares indicavam que elas comportavam em torno de 600 milhões de toneladas métricas de água.
Desde então, temos visto evidências mais profundas da presença de água tanto na superfície quanto no interior da Lua, presa nos poros de rochas e talvez até congelada em camadas de gelo. Tudo isso tem animado muito os entusiastas da exploração espacial, porque a presença de água congelada poderia, algum dia, tornar possível a habitação permanente de humanos na Lua.

Para cientistas planetários, no entanto, isto levantou uma questão complicada: como a água foi parar na Lua, em primeiro lugar?

Um artigo publicado hoje na Science sugere que, por mais improvável que possa parecer, a água da Lua têm origem na mesma fonte que a que sai da sua torneira. Tal como muitos cientistas acreditam que todo o suprimento de água da Terra foi inicialmente trazido por meteoritos carregados da substância que viajaram do cinturão de asteroides há bilhões de anos, uma nova análise de rochas vulcânicas lunares trazidas pelas missões Apollo indica que a água da Lua tem suas raízes nos mesmos meteoritos. Mas há um problema: antes de chegar à Lua, esta água esteve na Terra.

Melt inclusions

A equipe de pesquisadores, liderada por Alberto Saal, da Brown University, analisou a composição isotópica do hidrogênio encontrado na água de minúsculas bolhas de vidro vulcânico (lava super-resfriada) e, também, de material derretido infiltrado (bolhas de material derretido preso no magma que se resfria lentamente até se solidificar) nas rochas da era Apollo, como mostrado na imagem acima. Observou-se, especificamente, a proporção entre isótopos de deutério (átomos ‘pesados’ de hidrogênio que contêm um nêutron a mais) e átomos de hidrogênio normais.

Anteriormente, cientistas haviam descoberto que, na água, esta proporção muda dependendo da parte do sistema solar em que as moléculas de água de formaram, de modo que a água originada mais perto do Sol tem menos deutério do que a que se formou mais longe. Descobriu-se que a água contida no vidro lunar e nas infiltrações têm níveis de deutério similares ao encontrado numa classe de meteoritos chamada de condritos carbonáceos que, segundo os cientistas, são os fragmentos mais preservados da nebulosa que deu origem ao sistema solar. Os condritos carbonáceos que caem na Terra têm origem no cinturão de asteroides localizado entre Marte e Júpiter.

Níveis elevados de deutério sugeririam que a água foi primeiramente levada à Lua por cometas – como muitos cientistas têm conjecturado – pois,em sua maioria, os cometas vêm do cinturão de Kuiper e da nuvem de Oort, regiões longínquas para além de Netuno onde o deutério é abundante. Mas se a água nestas amostras representar o total da água lunar, os achados indicarão que a água veio de uma fonte muito mais próxima – de fato, da mesma fonte que a água terrestre.

A explicação mais simples para esta similaridade seria um cenário em que, quando a gigantesca colisão entre a Terra e um protoplaneta do tamanho de Marte formou a Lua há cerca de 4,5 bilhões de anos, parte da água líquida do nosso planeta foi, de alguma forma, preservada da vaporização e transferida junto ao material sólido que se tornaria a Lua.

Nosso atual conhecimento desse tipo de impacto, entretanto, não permite talpossibilidade: o calor que acreditamos que seria gerado por tamanha colisão, teoricamente, evaporaria toda a água lunar e a mandaria para o espaço numa forma gasosa. Porém, há alguns outros cenários que podem explicar como a água foi transferida de nossa proto-Terra para a Lua de outros modos.

Uma possibilidade fornecida pelos pesquisadores é a de que a Lua jovem apropriou-se de um pouco da atmosfera quente da Terra no instante em que se formou, tal que qualquer traço de água que estivesse encrustado na composição química das rochas terrestres pré-impacto teria se vaporizado junto com a rocha nesta atmosfera compartilhada após a colisão; o vapor teria se aglutinado em uma bolha lunar sólida, aderindo a água aos componentes químicos do material lunar. Outra possibilidade diz que a parte rochosa da Terra que se partiu para formar a Lua reteve as moléculas de água dentro de sua composição química e, depois, estas se desprenderam como resultado do aquecimento radioativo no interior da Lua.

As evidências trazidas por missões lunares recentes sugerem que as rochas da Lua – não apenas as crateras nos polos – contêm amostras substanciais de água, e esta nova análise dá a entender que a água originalmente veio da Terra. Estas descobertas obrigarão os cientistas a repensar os modelos de como a Lua teria se formado, dado que ela, obviamente, não secou por completo.”

Por Joseph Stromberg.

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This entry was posted on 10 de Maio de 2013 by in Astronomia and tagged , , , , , , , .

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