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Talibã dá trégua a agentes de vacinação

O talibã admitiu que a única forma de salvar as crianças da poliomielite é a vacinação e que, portanto, a “guerra” contra os agentes de vacinação está acabada. O anúncio foi feito semanas depois do lançamento de uma campanha de vacinação do governo afegão, financiada pela USAID e pela Organização Mundial da Saúde, para a qual foram treinados 46 mil voluntários. O objetivo é vacinar mais de 8 milhões de crianças com idades entre 6 meses e 5 anos.

O Afeganistão, ao lado de Paquistão e Nigéria, são os três países onde a polio se mantém como uma séria ameaça. O que todos têm em comum? Radicais islâmicos que vêm assassinando membros das equipes de vacinação. No ano passado, 11 agentes foram mortos no Paquistão, incluindo 5 mulheres, mortas a tiros em dezembro. Já em 2013, um policial que fazia a segurança de grupos de vacinação foi morto por um atirador no mesmo país. No Afeganistão, uma garota de 16 anos morreu depois de levar seis tiros na barriga por estar envolvida com a campanha anti-poliomielite.

A oposição às campanhas de vacinação tem sido feita por líderes religiosos que afirmam que a vacinação serve para tornar estéreis as crianças muçulmanas. Os talibãs afirmam também que vacinar pode ser uma tática para obter informações militares do seu território. Tais rumores foram agravados pela morte de Osama bin Laden em 2011 em Abbottabad (Paquistão), onde o doutor Shakil Afridi foi preso por se utilizar de uma falsa campanha de vacinação de hepatite para recolher amostras de DNA da família bin Laden para a CIA.

Agora, o talibã permite que as campanhas sejam levadas a cabo por agentes de vacinação locais que respeitem a cultura islâmica, sem interferência estrangeira. “De acordo com as práticas médicas mais atuais, a poliomielite só pode ser curada com ações preventivas, como a aplicação de gotas e vacinação das crianças contra esta doença” diz o comunicado.

No entanto, o analista político Mohammad Younas Fakor vê que a manobra tem uma intenção oculta: popularizar o talibã para que este ganhe força com a saída das tropas ocidentais, programada para 2014. Diz ele: “acho que o talibã está olhando para 2014, e sabem que não terão outra opção senão a de se aproximar do processo político”.

 

 

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