Make It Clear Brasil

Um apoio ao livre pensamento e a um entendimento do mundo baseado em evidências

Traduzindo: “Why Humans Took Up Farming: They Like To Own Stuff”

Fazenda pré-histórica

“Por que os humanos começaram a agricultura: Eles gostam de possuir coisas

Por décadas, os cientistas têm acreditado que nossos ancestrais iniciaram a agricultura há cerca de 12 mil anos porque este era um meio mais eficiente de obter alimento. Mas um crescente número de pesquisas sugere que este não era o caso.

‘Sabemos que os primeiros fazendeiros eram menores e mais inclinados a adoecer do que os caçadores-coletores’, diz Samuel Bowles, diretor do Behavioral Sciences Program [Programa de Ciências Comportamentais] do Santa Fe Institute no Novo México, EUA, descrevendo estudos arqueológicos recentes.

O próprio Bowles descobriu que estes primeiros fazendeiros gastavam mais calorias cultivando o alimento do que gastavam caçando e coletando. ‘Se unirmos os fatores, vemos que não saía barato’.

Então, por que cultivar? Bowles apresenta sua teoria em um estudo no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences. As razões são complexas, mas se reúnem em torno do conceito de propriedade privada.

Pense nestes fazendeiros primitivos como classes pré-históricas suburbanas. Os primeiros surgiram em menos de uma dúzia de locais na Ásia e América do Sul. Bowles diz que eles já viviam em pequenas vilas, tinham suas próprias casas e outros objetos, como jóias, barcos e várias ferramentas, inclusive material de pesca.

Eles ainda caçavam e procuravam alimento, porém não tinham que se aventurar muito longe para obtê-lo: haviam escolhido terras férteis para se estabelecer, então a comida era abundante. Por exemplo, onde hoje se situa o Iraque, um grupo vivia próximo a uma rota de migração de gazelas. Durante a temporada de migração, eram alvos fáceis – os habitantes matavam mais animais do que podiam consumir em uma refeição. Também colhiam mais grãos de plantas selvagens do que aquilo para o que poderiam dar uma utilidade. Assim, construíram ‘despensas’ – estruturas onde poderiam estocar comida excedente.

Estas sociedades tinham descoberto o valor de possuir as coisas – já reconheciam ‘direitos de propriedade privada’, diz Bowles. É uma grande transição das culturas nômades, que em ampla maioria não reconhecem a propriedade individual. Todos os recursos, mesmo nas sociedades de caçadores-coletores atuais, são compartilhados com todos na comunidade.

Mas os bons tempos não duraram para sempre nestas vilas pré-históricas, Em alguns lugares, o clima mudou para pior. Em outros, os animais ou mudaram suas rotas migratórias ou ficaram escassos.

Neste ponto, Bowles diz que estas comunidades tinham uma escolha: poderiam voltar ao estilo de vida nômade, ou manter-se nas vilas que haviam construído e ‘usar seu conhecimento das sementes e de como cultivá-las, e a possibilidade de domesticar animais’.

Decidiram se manter nas vilas. Com o passar do tempo, ainda cresceram em número. Por quê? Porque os primeiros fazendeiros tinham uma vantagem sobre seus primos nômades: criar os filhos dá muito menos trabalho quando não se está de mudança constantemente. Então, poderiam e tiveram mais crianças.

Em outras palavras, Bowles sugere que as primeiras culturas que reconheceram a propriedade privada deram às pessoas razão para fincar raízes em um local e inventar o cultivo – e permanecer com este apesar dos fracassos iniciais.

O pesquisador admite que esta é apenas uma teoria, mas para testá-la, ele e seu colega Jung-Kyoo Choi  formularam um modelo matemático que simulou as condições sociais e ambientais na época dos primeiros caçadores-coletores. Nesta simulação, o cultivo evoluiu apenas nos grupos que reconheciam os direitos de propriedade privada. Mais ainda, nas simulações, assim que o cultivo se encontrou com a propriedade privada, ambos se reforçaram e se expandiram ao redor do mundo.

A teoria de Bowles nos oferece uma explicação que junta realidades culturais, ambientais e tecnológicas enfrentadas pelos primeiros fazendeiros, diz Ian Kuijt, antropólogo da University of Notre Dame, especialista nas origens da agricultura.

No entanto, complementa, o desafio é descobrir quem possuía a propriedade então e como a mantinham. ‘O que é propriedade de um indivíduo’?, diz Kuijt. ‘Eram uma mãe, um pai e seus filhos? … Isto representa propriedade comunitária ou da vila?'”

Por Rhitu Chatterjee

Link para o original:
http://www.npr.org/blogs/thesalt/2013/05/13/183710778/why-humans-took-up-farming-they-like-to-own-stuff?ft=1&f=1007

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: