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Encontrados ovos de dinossauros de 150 milhões de anos

Theropoda observa seu ninho. Imagem de Vladimir Bondar e GEAL/CCID/Museu da Lourinhã

Encontrar e estudar ovos de dinossauros não são tarefas simples. Além de raros, eles são extremamente frágeis e é difícil identificar a espécie animal à qual pertencem.

Às vezes, a procura dá resultado. Um conjunto de ovos fossilizados de 150 milhões de anos (período Jurássico) encontrado recentemente tem sido apontado como o elo perdido na evolução dos ovos de dinossauro. Este achado dá aos cientistas um retrato dos primeiros ovos e embriões de um grupo chamado Theropoda, que inclui o conhecido Tyrannosaurus rex e aves modernas.

Ricardo Araújo, paleontólogo da Southern Methodist University em Dallas, Texas, e autor do estudo publicado no Scientific Reports diz que “na maior parte do tempo, encontram-se ovos sem embriões, ou embriões sem ovos”, e que “antes, não sabíamos nada a respeito da aparência dos primeiros terópodes”. A descoberta dos ovos ainda pode ajudar os cientistas a elucidar as seguintes questões: Quais aspectos da casca do ovo dos terópodes foram herdados dos seus ancestrais? Quais evoluíram de forma independente?

Elo perdido

A maior parte dos registros fósseis de ovos de dinossauros que possuímos é de terópodes e data do Cretáceo (80 milhões de anos atrás). Existem ovos mais antigos, datando do começo do período Jurássico (190 mi de anos), mas que pertencem a um grupo de dinossauros chamado Sauropoda. “Há um grande brecha nos registros de ovos e ninhos de terópodes”, conforme Matthew Carrano, paleontólogo do Museu de História Natural Smithsonian. Ele acrescenta que “temos muito pouco com exceção do Coelurosauria, grupo que inclui pássaros”.

Esta brecha incomodava os cientistas, pois sabe-se que a maior parte das características da reprodução dos pássaros surgiu neste período do qual temos poucos registros. Segundo Carrano, os saurópodes tinham comportamento reprodutivo muito distinto dos pássaros; então, encontrar ovos e ninhos dos primeiros terópodes é importante para entendermos melhor a história.

As descobertas

Os fósseis descobertos na costa de Portugal em 2009 foram analisados com o auxílio de raios-X de alta resolução e assim foi possível extrair detalhes da casca e dos embriões.

Por exemplo, os pesquisadores agora sabem que os primeiros ovos dos terópodes (de um grupo chamado Trovosaurus) contêm paredes externas mais “serrilhadas” do que os ovos de terópodes posteriores.  Ovos mais antigos apresentam somente uma camada externa, ao invés das três camadas que encontramos nos ovos dos terópodes mais recentes e das aves modernas.

Constatou-se também que o grupo de ovos dos primeiros terópodes é extremamente poroso. “Isto nos diz que os ovos eram enterrados”, explica Araújo, sendo que os poros permitiam trocas gasosas entre o interior do ovo e o mundo exterior.

O fato de os embriões estarem em um estágio de desenvolvimento avançado facilitou o trabalho de reconhecimento do grupo que os depositou, o que raramente ocorre nas descobertas que os cientistas têm feito.

Fonte: National Geographic.

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