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Vítima de estupro condenada à morte no Paquistão

Paquistão mapa

Kainat Soomro foi estuprada por quatro homens quando tinha 13 anos. Os habitantes da vila onde morava (Dadu, no sul do Paquistão) a classificaram como uma “virgem negra” e ordenaram que ela devia ser morta pela própria família.

Hoje, quatro anos depois do estupro, Kainat ainda está viva e sua família clama por justiça. O documentário Outlawed in Pakistan conta a história dessa luta contra tradições que já duram vários séculos.

A família Soomro não está livre, mas, muito pelo contrário, enfrenta isolamento, medo e intimidações por parte dos homens que estupraram Kainat e da sociedade, em geral, pois a própria busca por justiça é algo fora do comum no Paquistão.

O filme, escolhido para ser apresentado no Sundance Film Ferstival de 2013, reconta a história do ataque sofrido pela garota quando passava por uma viela e teria sido agarrada e estuprada pelo dono de uma loja, Shaban Saikh, e outros três homens. Então, a vila passou a chamá-la de “kari” – “virgem negra” e a condenou à morte por ter se tornado uma vergonha para sua família.

Os supostos estupradores agrediram seu pai e um de seus irmãos, enquanto outro foi encontrado morto depois de três meses de desaparecimento. Apesar disso, os Soomro se recusaram a cumprir a tradição de homicídio e levaram o caso aos tribunais.

“Disseram-me que eu não era homem de verdade”, disse o irmão de Kainat, Sabir, aos produtores do filme, e que ele havia “falhado em seguir a tradição, falhado em matar sua irmã”. A violência sofrida pela família os fez mudar de cidade e passaram a viver em um pequeno apartamento em Karachi, onde 18 pessoas habitam 2 quartos; os homens não conseguem emprego e, muitas vezes, a família precisa recorrer a instituições de caridade para obter alimento.

O pai diz que a família “perdeu tudo” na tentativa de retirar a condenação da filha enquanto que a polícia e as autoridades fazem pouco ou nada para esclarecer os fatos. Quando Kainat vai à corte, frequentemente ouve questões como “que parte da sua roupa você retirou?” ou “quem a estuprou primeiro?”.

Em entrevista aos produtores, os acusados disseram que a garota deveria ter ficado quieta, pois o fato de ter falado sobre o ocorrido é uma prova de que ela “não tem caráter. Se fosse uma mulher decente, teria ficado em casa, quieta.”

Kainat Soomro, vítima de estupro. Foto: Hilke Schellmann. Fonte: Overseas

Fonte: The Australian.

 

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