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Traduzindo: “How fish won the oxygen war”

Truta-arco-íris (Oncorhynchus mykiss), cuja bioquímica foi estudada pelos cientistas. Foto: Wikipedia.

Truta-arco-íris (Oncorhynchus mykiss), cuja bioquímica foi estudada pelos cientistas. Foto: Wikipedia.

Como os peixes venceram a guerra do oxigênio

Um elo perdido na história de como os peixes triunfaram sobre os oceanos tóxicos e as mudanças climáticas foi revelado por um grupo internacional de cientistas.

A chave para o sucesso evolucionário dos peixes – e sua possível sobrevivência no futuro – pode residir em uma molécula legada aos humanos: hemoglobina, a preciosa transportadora de oxigênio para o nosso cérebro, coração, músculos e outros órgãos.

Em artigo na última edição do periódico Science, a Dra. Jodie Rummer do ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies [Centro ARC de Excelência para Estudos de Recifes de Corais] da University of British Columbia relatou uma descoberta revolucionária a respeito do modo como os peixes conseguem sobreviver em condições de água hostis.

“Há quatrocentos milhões de anos, os oceanos não eram o que são hoje. Eles possuíam pouco oxigênio, muito CO2 e eram ácidos”, diz a Dra. Rummer. “Mesmo assim, os peixes não apenas sobreviverem nesta circunstâncias pouco promissoras, como puderam prosperar. Sua arma secreta foi um sistema de descarregamento de enormes quantidades de oxigênio a partir da hemoglobina no seu sangue, sempre que a situação se tornava muito difícil.”

“A hemoglobina no sangue capta oxigênio nas guelras dos peixes e pulmões humanos. Então, a carrega pelo corpo para o coração, músculos e órgãos até que encontra tecidos que estão muito ativos e produzindo grandes quantidades de CO2″.”A acidez é um sinal para a hemoglobina despejar o máximo que puder de seu oxigênio nos tecidos”, ela explica.

“Estes peixes antigos conseguiram desenvolver uma forma de maximizar a entrega de oxigênio, mesmo quando a água em que viviam não tivesse muito. Eles tinham uma capacidade fenomenal de liberar oxigênio somente quando necessário: foi um dos grandes segredos do seu sucesso evolucionário, de modo que agora compõem metade dos vertebrados do planeta.”

O sistema de liberação de oxigênio dos peixes se tornou ainda mais eficiente nos 150-270 milhões de anos subsequentes, quando foi necessário abastecer órgãos como o olho, que requer cargas elevadíssimas de O2 para funcionar bem e evitar a morte de células da visão, e que foi essencial para enxergar bem embaixo d’água, para caçar ou fugir de predadores.

Os pesquisadores fizeram a descoberta decifrando a bioquímica de como a truta-arco-íris [rainbow trout] rapidamente dobra a liberação de oxigênio em certos tecidos quando nadam por águas que causam pressão nelas.

O sistema dos peixes é muitas vezes mais eficiente do que o herdado pelos humanos (já que nossos ancestrais anfíbios se desgarraram dos peixes há cerca de 350-400 milhões de anos, quando o sistema da hemoglobina ainda estava em seus primeiros estágios de desenvolvimento), mas a descoberta pode levar a novas maneiras de se compreender e abordar as condições influenciadas pelos níveis de oxigênio no corpo.

“Além disso, sentimos que se pudermos entender como os peixes superaram as águas ácidas, com pouco oxigênio e muito CO2 no passado, isso nos daria alguma percepção de como eles podem superar as mudanças climáticas causadas pela humanidade que parecem criar estas condições novamente”, diz a Dra. Rummer.

(CO2: dióxido de carbono.)

Fonte: Scinews.com.au

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