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Traduzindo: “Newfoundland fossil shines light on origins of animal life”

Retrato do primeiro paleontólogo canadense, o cientista do século XIX Elkanah Billings, que teorizou que a Aspidella terranovica era uma criatura viva de uma época antes do Cambriano.

Retrato do primeiro paleontólogo canadense, o cientista do século XIX Elkanah Billings, que teorizou que a Aspidella terranovica era uma criatura viva de uma época antes do Cambriano.

Por Randy Boswell.

A costa sudeste de Newfoundland [Canadá], rica em fósseis, produziu outra grande descoberta que joga uma luz sobre as origens da vida animal na Terra.

Equipe de cientistas canadenses e britânicos encontrou um rastro de 560 milhões de anos — evidência fossilizada de uma criatura primitiva se movendo por um leito de oceano antigo — em rochas da Península de Avalon, ao sul de St. John’s.

Os pesquisadores acreditam que o trilho foi deixado pela Aspidella terranovica, a mesma espécie que definiu o recente reconhecimento do período geológico “Ediacarano” — a primeira grande revisão do calendário da história do planeta em mais de um século, quando foi ratificada em 2004 pela comunidade científica internacional.

A descoberta é detalhada em estudo publicado neste mês no periódico Geology, de autoria da geocientista da Universidade de Oxford Latha Menon, do geólogo da Memorial University of Newfoundland Duncan McIlroy e de Martin Brasier, geocientista afiliado a ambas Oxford e Memorial.

Os pesquisadores observam que, apesar do consenso científico de que a Aspidella e espécies similares da sua era — cerca de 560 milhões de anos atrás — foram os primeiros animais do mundo, alguns especialistas têm questionado esta conclusão e especulado que muitas espécies fósseis identificadas como ediacaranas “não [eram] animais marinhos de forma alguma, mas líquens e colônias bacterianas terrestres”.

O rastro fossilizado, no entanto, mostra “evidências de movimentos verticais e horizontais de um táxon ediacarano, consistentes com [uma espécie] animal” vagamente comparável a anêmonas modernas e outras espécies do grupo cnidário da vida marinha.

Sítios arqueológicos canadenses e cientistas estavam na vanguarda do estabelecimento do Ediacarano como um período geológico distinto ao redor de  635-541 milhões de anos atrás, durante o qual os primeiros organismos complexos evoluíam de formas de vida anteriores, mais simples.

Esta espécie animal estranha — incluindo a Aspidella terranovica, inicialmente registrada em 1872 pelo primeiro paleontólogo oficial do Canadá, Elkanah Billings — finalmente deu origem a uma variedade imensa de espécies animais bem-desenvolvidas durante a chamada “Explosão Cambriana” da vida, que começou há cerca de 540 milhões de anos, no final da era ediacarana e começo do período Cambriano.

Enquanto que a era cambriana é mais conhecida pela ciência através do sítio arqueológico de Burgess Shale, perto de Field, British Columbia; Newfoundland tem demonstrado ser uma das janelas mais reveladoras do mundo sobre o período anterior, o Ediacarano.

O primeiro fóssil ediacarano estudado por Billings logo após a Confederação Canadensetinha sido descoberto, de fato, em afloramentos rochosos no centro de St. John’s. Hoje, o agrupamento de fósseis ediacaranos de Mistaken Point, na extremidade sul da Península de Avalon, é um dos principais candidatos canadenses a Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Em 2010, Brasier e McIlroy fizeram parte de outra equipe de pesquisa entre Oxford e Memorial que anunciou a descoberta em Newfoundland de um rastro de 565 milhões de anos de idade, que eles descreveram como a evidência mais antiga de locomoção animal do mundo.

O movimento daquela criatura não-identificada sobre um leito oceânico antigo — em um ritmo que era provavelmente tão lento que seria imperceptível — teria sido feito por um único “pé” muscular, disseram os pesquisadores no artigo para o Geology na época.

As descobertas canadenses em Mistaken Point e outros sítios em Newfoundland têm sido chave para iluminar a fase pouco compreendida, porém crucial da evolução animal na era pré-Cambriana — um enigma que confundiu até mesmo Charles Darwin e deu origem ao “Dilema de Darwin”.

O que Darwin foi forçado a admitir no seu celebrado tratado de 1859, A Origem das Espécies, foi um buraco ofuscante na sua teoria. Já que as formas de vida do Ediacarano não eram conhecidas por ele, o cientista britânico não conseguiu explicar adequadamente de onde vieram os animais. Formas de vida complexas, observou Darwin, pareciam ter surgido de repente, do nada, em sítios fósseis do Cambriano ao redor do mundo.

Apesar de o primeiro fóssil ediacarano ter sido identificado por Billings há mais de 140 anos, só no século XXI cientistas canadenses — liderados pelo paleontólogo Guy Narbonne da Queen’s University — justificaram a teoria de Billings de que, apesar de raras, formas primitivas de vida animal poderiam ser encontradas em épocas pré-Cambrianas.

*Confederação Canadense: processo que trouxe a união das colônias britânicas, formando o Dominion of Canada, em 1 de julho de 1867. Este domínio foi estabelecido pelo Ato da América do Norte Britânica.

Fonte: o.canada.com

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