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Estudar tumores para superá-los

Três fotos assombram a cabeça de Bert Volgenstein, geneticista de câncer da Johns Hopkins University:

A primeira mostra um homem com a parte de cima do corpo cheia de melanomas. A segunda mostra os efeitos de uma droga chamada de Vemurafenib, que pertence à categoria das terapias de câncer direcionadas, ou seja, ao contrário das drogas quimioterápicas usuais, o Vemurafenib ataca certas moléculas presentes apenas em células cancerosas. Nesta segunda foto, o corpo do mesmo homem aparece livre dos melanomas.

Já na terceira fotografia, tirada após 16 semanas de tratamento, é possível ver exatamente os mesmo tumores nos locais onde estavam originalmente. O homem morreu semanas depois.

A suspensão temporária de um tumor é comum nas terapias direcionadas, e o Dr. Vogelstein se uniu a matemáticos para obter modelos detalhados de câncer. A pesquisa que fizeram, publicada no periódico eLife, revelou que o câncer é uma doença evolucionária. Agora, o estudo está sendo usado para a criação de novas formas de se usar as drogas para matar as células cancerosas.

Como exemplo desse caráter evolucionário, pode-se dizer que algumas vezes as células cancerosas que se replicam sofrem mutações que deixam o crescimento da célula mais rápido. Estas células que se desenvolveram mais depressa, consequentemente, espalham a característica da velocidade de crescimento superior conforme se replicam. Eis que a seleção natural surge dentro do corpo. Outra mutação é que altera a estrutura química das moléculas do tumor, tal que a terapia direcionada não encontra as moléculas corretas para que possa destruir as células.

Com a ajuda da matemática, o Dr. Vogelstein apurou que, mesmo antes de se iniciar um tratamento à base de drogas para terapia direcionada, já existem células nos tumores capazes de resistir ao tratamento. Em um estudo de caso sobre a eficácia da droga panitumumab, por exemplo, registrou-se uma célula resistente para cada milhão de outras células cancerosas. Parece pouco, mas cabe lembrar que, mesmo antes do diagnóstico, o câncer cresce a taxas incrivelmente altas.

A equipe de trabalho conseguiu criar modelos que previam exatamente quando as células com mutações que as tornavam resistentes ao tratamento iriam criar um novo tumor. O modelo mostra como um tratamento pode estar fadado ao fracasso antes de começar. Nas palavras de Vogelstein, “É fato consumado”. Então, passaram a utilizar os modelos para vencer a batalha contra as mutações, e uma das soluções encontradas foi a prescrição de duas drogas.

Caso sejam administradas uma após a outra, as duas drogas têm altas chances de falhar. Isso ocorre porque, da mesma forma que contornou os efeitos da primeira evoluindo por mutação, um tumor pode rebater os efeitos do medicamento seguinte. Porém, o uso das duas concomitantemente pode representar a cura para um paciente.

Raramente ocorre de uma célula cancerosa possuir mutações que a deixe resistente contra a ação de duas drogas diferentes. Mesmo que resista a uma delas, conforme o tumor morre não haverá tempo hábil para a aquisição de uma mutação que a salve também do ataque de outra droga.

O Dr. Martin Nowak, diretor do Program for Evolutionary Dynamics da Universidade de Harvard, alerta que mesmo a ação de duas drogas não garante a cura. “Se existir uma única mutação no genoma que dê resistência a ambas as drogas simultaneamente, então não se cura ninguém.”

Fonte: The New York Times

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This entry was posted on 5 de Julho de 2013 by in Medicina and tagged , , , , , , , , , , , .

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