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O elo perdido da evolução do olho?

Há pouco menos de duas semanas, no post intitulado “Por que os dinossauros desenvolveram penas?”, começou-se com uma provocação costumeiramente feita pelos criacionistas: “Para que serve metade de uma asa?” No último dia 3, sob o título de “Deuses das lacunas: extraterrestres e design inteligente”, foi explicada a relação entre as lacunas no conhecimento científico e a suposta “prova” da divindade que surge das lacunas (o argumentum ad ignorantiam).

Hoje, a questão criacionista poderia perfeitamente ser “Para que serve metade (ou qualquer parte ínfima) de um olho?” Para sobreviver, eu diria. Vejamos.

O olho composto da estrala-do-mar ("cálices" vermelhos) é visto na extremidade do braço.  Cada cálice vermelho corresponde a uma única unidade óptica, omatídeo, no olho composto de um artrópode. Imagem: Dan-Erik Nilsson, Lund University).

O olho composto da estrala-do-mar (“cálices” vermelhos) é visto na extremidade do braço. Cada cálice vermelho corresponde a uma única unidade óptica, omatídeo, no olho composto de um artrópode. Imagem: Dan-Erik Nilsson, Lund University).

Pela primeira vez, um estudo demonstrou que as estrelas-do-mar usam olhos primitivos nas pontas dos “braços” para se localizar e navegar pelo ambiente.  A pesquisa, liderada pelo Dr. Anders Garm na Seção Biológica Marinha da Universidade de Copenhague, Dinamarca, revelou que os olhos das estrelas-do-mar formam imagens e podem ser um passo essencial para a evolução (mais lacunas sendo preenchidas?).

Os pesquisadores retiraram estrelas-do-mar com e sem olhos de seu habitat rico em alimento, o recife de corais, e as colocaram no leito arenoso a um metro de distância do local original, onde passariam fome. Da superfície, monitoraram o comportamento dos animais e descobriram que os que tinham olhos intactos iam em direção do recife, enquanto que os demais vagavam aleatoriamente.

Conforme Garm: “Os resultados mostram que o sistema nervoso das estrelas-do-mar deve ser capaz de processar informação visual, o que indica a subestimação da capacidade encontrada no sistema nervoso circular e, de certa forma, disperso dos equinodermos”.

Ainda, de acordo com o especialista, o olho dos equinodermos se encontra em um estágio tal que, se unirmos sua morfologia à qualidade óptica das imagens que produz, chegaremos perto de um olho teórico que existiria no começo da evolução deste órgão, quando a formação de imagens surgiu. Dessa forma, podem-se inferir as necessidades e tarefas que impulsionaram o desenvolvimento do olho, a saber, a navegação em direção ao habitat favorito usando grandes objetos estacionários (aqui, o recife).

Fonte: Science Daily

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This entry was posted on 6 de Julho de 2013 by in Biologia and tagged , , , , , , , , , .

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