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Traduzindo: What a Peahen Really Watches When a Peacock Tries to Impress Her

No que a pavoa realmente repara quando um pavão tenta impressioná-la

Foto: Jebulon/WikiCommons

Foto: Jebulon/WikiCommons

Quando um pavão exibe sua plumagem e anda pomposo, é uma visão impressionante. Ou pelo menos parece para nós, humanos. O que realmente importa, é claro, é o que pensa a fêmea que ele está tentando impressionar. Em um novo estudo, cientistas acoplaram minúsculas câmeras de rastreamento dos olhos às cabeças de pavoas para tentar entrar nas suas mentes enquanto observavam as demonstrações de galanteio dos machos.

As descobertas sugerem que aquilo em que a fêmea presta atenção quando julga um possível parceiro não é o que alguns pesquisadores pensavam.

Todas aquelas incríveis marcas em formato de olhos? Que nada. Mas a largura do trilho de penas? Ela observa, com certeza. E quando ele se vira e sacode as penas da cauda? Isso é totalmente atraente.

A cauda do pavão causou acessos em Darwin. Primeiramente, ela parecia desafiar sua teoria da seleção natural. Como a evolução poderia favorecer um adorno tão desajeitado e ostentatório? A própria visão daquelas penas, Darwin escreveu a um colega, o deixava doente. Logo percebeu, no entanto, que as penas podem servir a outro propósito: aumentar o sucesso reprodutivo do macho mesmo que os tornassem mais visível e vulnerável aos predadores. O conceito de seleção sexual nasceu, e a cauda do pavão permanece um exemplo clássico dela até hoje.

Mas exatamente o que, na exibição do macho, as fêmeas acham atraente está bem menos claro.

Estudos com pavões selvagens em um parque britânico nos anos 1990 propuseram que se trata da ornamentação. A ecóloga comportamental Marion Petrie da Newcastle University e seus pares descobriram que machos com mais marcas em formato de olhos acasalam com mais frequência. Quando os pesquisadores usaram tesouras para retirar 20 destas marcas de diversos machos, as fêmeas mostraram menos interesse neles. O trabalho de Petrie sugeriu que na cabeça de uma pavoa, as marcas de olhos são muito sensuais.

Se isto for verdade, ela deveria gastar muito tempo olhando para as marcas quando o macho faz sua exibição, diz Michael Platt, neurocientista da Duke University e co-autor de uma nova dissertação, publicada hoje [24/07] no Journal of Experimental Biology. Platt já havia usado o equipamento de rastreamento dos olhos para estudar o comportamento de primatas, inclusive as interações sociais entre lêmures fora do cativeiro, e no novo estudo ele e colegas desenvolveram um sistema ainda menor que poderia servir na cabeça de uma pavoa.

“Pensamos que seria uma nova forma de perguntar realmente no que ela está interessada os invés de seguir nossas intuições sobre quais características poderiam ser importantes”, diz Jessica Yorzinski, que colaborou com Platt no estudo como estudante de pós-graduação e hoje tem pós-doutorado pela Purdue University.

O rastreador de olhos consiste em duas câmeras anexadas a um capacete que dá a volta no bico da ave. Ele pesa apenas 25 gramas, mais ou menos quatro moedas de 25 centavos de dólar [four quarters, no original]. Uma câmera está direcionada para a pupila de um olho e rastreia sua posição (para estes experimentos, o outro olho foi coberto); a outra captura a cena em frente à ave. Um transmissor à bateria preso ao corpo da ave manda os dados via wireless para um computador próximo.

A equipe usou o rastreador para estudar pavões durante a corte em um cercado ao ar livre.

No vídeo acima, a pequena caixa na direita e ao topo é a vista do olho da pavoa, e o ponto amarelo indica o que ela está fitando. Uma coisa a se destacar é o pouco tempo que ela gasta olhando para o macho enquanto ele exibe seu elaborado trilho de penas. Ela passa a maior parte do tempo olhando para o chão e olha de relance para o macho só de vez em quando. Ela observa um esquilo que passa correndo. Então ela parece se interessar pelo macho, olhando de um lado o outro a parte de baixo do trilho de penas como se avaliasse. Então olha de novo para o chão por um tempo. E aí — o que é isso? Ele se vira e sacode o traseiro. Esta manobra claramente chama a atenção dela, mesmo que por pouco tempo.

Depois de analisar dúzias de horas de vídeo de 16 pavoas, os pesquisadores concluem que durante a apresentação do macho, as fêmeas dedicam atenção considerável à parte de baixo da cauda, virtualmente ignorando o topo do trilho, a cabeça e a crista. As fêmeas gastam relativamente pouco tempo olhando para as manchas em forma de olho. “É bastante sugestivo de que seja lá no que as fêmeas estejam interessadas, não parece ser as marcas de olhos”, disse Platt.

Bem, no que é então?

“É razoável especular aqui que o que importa é algo como o tamanho ao invés da ornamentação”, disse ele. “O tamanho está relacionado com a idade do macho, e a idade do macho é um bom prognóstico da qualidade das crias para estas aves, tal que não seria uma má estratégia para elas”.

Os pesquisadores descobriram que as fêmeas olhavam mais, sim, para as marcas de olhos de um macho quando ele estava mais longe ou quando a parte mais baixa do seu corpo estava obscura. “Elas podem servir para a função de ajudar a atrair a atenção da fêmea, mas, uma vez que ela chegue, elas não parecem importar mais”, afirmou Platt.

Os olhares fixos de uma pavoa (linhas verdes), em sua maioria, seguem a parte de baixo do trilho de penas de um macho enquanto ele faz a corte. Imagem: Yorzinski et al., Journal of Experimental Biology.

“É tecnicamente muito difícil fazer isso”, disse Mary Hyhoe, psicóloga perceptiva da Universidade do Texas em Austin, que não esteve envolvida com o estudo. “Isto lhe dá uma visão interessante da cognição animal sob a perspectiva do animal.”

Os estudos com rastreamento de olhos podem revelar aspectos da cognição que são difíceis de captar apenas estudando o comportamento, diz Hayhoe […].

[…]”As pessoas pensam que os sistemas sensoriais são passivos, mas na verdade você tem que selecionar a informação do mundo que é relevante para você”, afirma Hayhoe.

Sobre o que seria revelante para as pavoas, Petrie não acha que o novo estudo desqualifica as marcas nos machos. “Ele mostra que o trilho é importante, mas as marcas ainda podem ser importantes também.”

“Para mim, o resultado mais legal é o aspecto da chamada de atenção”, disse Petrie. “Quando eles balançam as asas, as fêmeas olham mais.”

Platt, entretanto, já pensa em outras potenciais aplicações para os aparelhos de rastreamento de olhos no estudo da atenção em animais no seu ambiente natural, ou algo semelhante. Pouquíssimos estudos como esses foram feitos. “Está tudo em aberto”, disse. “Eu poderia imaginar usar o rastreamento de olhos para estudar como os animais navegam por uma floresta, como procuram por alimento, ou como coordenam o comportamento quando querem se mover como um grupo.”

Fonte: Wired

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This entry was posted on 25 de Julho de 2013 by in Biologia and tagged , , , , , , , , , , , .

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