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Pseudociência: pais são condenados pela morte da filha

O casal francês Joel e Sergine Le Moaligou, que se recusou a levar a filha doente e subnutrida ao hospital, foi condenado a cinco anos de prisão.

Os pais trataram Louise, de 11 meses de idade, com compressas e lhe deram somente leite materno, o que levou à acusação por “negligência ou privação de alimentação”. Além disso, ignoraram as recomendações de um médico e procuraram por auxílio em um livro de medicina alternativa escrito há 35 anos.

Anne-Laure Sandretto, advogada de acusação, havia pedido uma sentença de 10 anos contra o casal que acreditava poder curar a pneumonia da filha com remédios tradicionais.

“Não estamos aqui para julgar o estilo de vida alternativo deles, mas para decidir se este homem e esta mulher demonstraram uma falta de cuidado e causaram a morte de sua criança”, disse Sandretto, que completou afirmando que os pais estavam “cegos, e certos de estarem certos”, e que tamanha convicção excedeu o amor que sentiam pela filha.

A corte em Amiens, norte da França, contou com o testemunho do médico consultado pelo casal, o Dr. Stéphane Bernard. Ele disse ao júri que os pais se recusaram a levar a filha imediatamente ao hospital na época da consulta, dois meses antes do falecimento da menina, em 2008.

O Dr. Bernard suspeitou que o caso se tratasse de pneumonia e ordenou que a criança fosse levada ao hospital para realizar exames de raio-X e de sangue. Não indicou nenhum medicamento por ter certeza de que isso também seria feito no centro médico.

No entanto, os Le Moaligou voltaram para casa e consultaram livros de medicina natural. Teriam passado a tratar Louise com mostarda, alho e barro, como foi dito ao júri.

O livro utilizado pelo casal foi o Natural Guide to Childhood, de 1972. O próprio advogado de defesa assumiu que os pais “não seguiram o conselho do médico de levar o bebê, sofrendo de bronquite e perdendo peso, ao hospital. Preferiram receitas baseadas em emplastros de barro ou repolho retiradas daquilo que leram”.

A autora do livro, Jeanette Dextreit, disse em chamada de vídeo na corte que o livro se direcionava à criação, não tratamento de crianças: “Não disse para consultar um médico se a enfermidade persistisse porque, para mim, isso era óbvio”.

A senhora Moaligou, 45, disse à corte que o casal não percebeu “a gravidade da situação”. Seu marido a complementou: “Nós estávamos convencidos de que poderíamos tratá-la naturalmente.”

Fonte: The Guardian

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This entry was posted on 29 de Julho de 2013 by in Fundamentalismo and tagged , , , , , , .

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