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Traduzindo: Be mine! Why Monogamy Evolved in Mammals

Seja minha! Por que a monogamia evoluiu nos mamíferos

Por Denise Chow & Tanya Lewis.

Em grupos de suricatas, a maioria dos indivíduos são crias de um único par.

Em grupos de suricatas, a maioria dos indivíduos são crias de um único par. Crédito: imagem de Dieter Lukas.

Os primatas machos podem ter se tornado monogâmicos para proteger suas crias de serem mortas por machos rivais, um novo estudo descobriu. No entanto, outros discordam, dizendo que a monogamia evoluiu nos mamíferos para que os machos pudessem proteger suas parceiras.

Uma equipe de pesquisadores britânicos e australianos comparou dados de 230 espécies de primatas através de 75 milhões de anos, e descobriu que a ameaça do infanticídio — especificamente, a ameaça de bebês primatas serem mortos por machos sem parentesco — provavelmente engatilhou a monogamia.

Já que as crianças dependem das mães por toda a infância, e já que as fêmeas primatas tipicamente adiam a próxima gravidez enquanto estão nutrindo seus filhotes, competidores machos podem ver vantagens em se livrar de bebês que seus rivais criaram, disse o autor líder do estúdio Christopher Opie, pesquisador pós-doutor do departamento de antropologia do University College London, no Reino Unido.

“Para um macho que sabe não ser o pai de uma criança, pode valer a pena para ele matar essa criança, porque então ele pode se assegurar de que a fêmea voltará a ovular. E então ele pode cruzar com ela”, Opie disse ao LiveScience. “É um modo de os machos tentarem aumentar o número de genes que são transmitidos para a próxima geração.”

Os pesquisadores examinaram a incidência do infanticídio em diferentes espécies de primatas no tempo e encontraram vínculos entre essa ameaça e a aparição da monogamia.

“Quando observamos todas as 230 espécies, vimos que o infanticídio evoluiu em pontos distintos, mas em todos os casos ele já havia evoluído na época em que a monogamia evoluiu”, disse Opie. Os resultados foram publicados hoje (29 de julho) no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Outro estudo divulgado hoje, entretanto, sugere que a monogamia pode ter evoluído para proteger as fêmeas da competição com outras fêmeas.

Nenhum dos estudos pretende explicar a monogamia em pessoas. “Somos cuidadosos para fazer uma afirmação definitiva sobre a monogamia em humanos”, disse o pesquisador Tim Clutton-Brock da Universidade Cambridge em uma seção de imprensa, acrescentando que no que tange à monogamia, “os humanos são obviamente fantasticamente variáveis”.

A árvore genealógica primata

Apenas de 3 a 5 por cento de todos os mamíferos se juntam por toda a vida, mas pesquisadores têm debatido há tempos a evolução da monogamia, com cientistas tentando localizar onde na história os animais demonstraram tendências monogâmicas — e por quê.

Para rastrear o caminho evolucionário da monogamia, Opie e seus colegas construíram uma árvore genealógica gigante baseada em dados genéticos dos relacionamentos entre as espécies de primatas. Os pesquisadores, então, utilizaram modelos estatísticos para identificar onde as mudanças comportamentais — como a aparição do cuidado paterno das crias os os diversos padrões de fêmeas — provavelmente ocorreram durante a história evolucionária dos primatas.

“Nós efetivamente simulamos a evolução milhões de vezes através da árvore genealógica e obtivemos probabilidades para o quanto cada um dos comportamentos mudaria com o tempo”, explicou Opie.

Esta técnica remete à utilizada pelo famoso estatístico americano Nate Silver quando ele previu os resultados das eleições presidenciais, e ao método usado pelo Google quando produz resultados de pesquisa, Opie disse.

Os modelos determinaram que o infanticídio pelos machos coincidiu com a mudança de comportamento pela qual as fêmeas passaram da procriação com múltiplos machos para a monogamia nos primatas. Os resultados também sugerem que outros comportamentos, como o cuidado paterno, resultaram da monogamia.

“Em todas espécies nas quais os machos dão cuidado, a monogamia já tinha evoluído”, disse Opie. “Assim, podemos ver um caminho evolucionário no qual o infanticídio evoluiu primeiro e, como uma das respostas a isto, a monogamia evoluiu, e só então nestas espécies — mas não em todas — o cuidado paterno evoluiu.”

Uma análise abrangente?

Quanto ao estudo oferecer uma perspectiva sobre a evolução da monogamia, os resultados dependem altamente de como os pesquisadores classificaram as diversas espécies de primatas, disse Eduardo Fernandez-Duque, professor associado de antropologia da Universidade da Pensilvânia na Filadélfia, que não esteve envolvido no novo estudo.

Fernandez-Duque, que estudou monogamia e cuidado paterno em primatas por 20 anos, notou algumas inconsistências nas descrições de algumas espécies, como a classificação de que alguns primatas no gênero Callicebus são sexualmente monogâmicos mas não socialmente monogâmicos (eles não ficam juntos para criar os filhotes, por exemplo).

Ainda, “os pesquisadores tratam o infanticídio como binário, o que me deixa um pouco desconfortável”, Fernandez-Duque disse ao LiveScience. “Por exemplo, eles categorizam o infanticídio como alto ou baixo, mas não há espaço par espécies que não apresentam infanticídio.”

Mesmo assim, Fernandez-Duque diz que a pesquisa representa progresso empolgante no campo da primatologia, e espera poder explorar os dados mais a fundo.

O retrato familiar de macacos.

Rastreando a evolução da monogamia

Outro estudo, detalhado hoje no periódico Science, sugere que a monogamia evoluiu para permitir aos machos proteger as fêmeas.

Usando uma nova técnica de classificação genética, os pesquisadores deste estudo deduziram como espécies eram relacionadas e quando se separaram umas das outras na árvore evolutiva. Os cientistas classificaram cada espécie como solitária (vivendo sozinha), socialmente monogâmica (vivendo em casais) ou de grupo. Um total de 2.500 espécies de mamíferos foi envolvido.

Então, os estudiosos simularam como as fêmeas solitárias poderiam desenvolver a monogamia versus como as fêmeas de grupo poderiam desenvolver a característica. Foram usados métodos estatísticos sofisticados para determinar quais cenários eram mais prováveis.

A monogamia social evoluiu 61 vezes entre os animais estudados, conforme demonstrou a análise. Com a exceção de uma, todas estas transições envolveram fêmeas solitárias, ao invés daquelas que vivem em grupo. Mais ainda, o ancestral comum de todos os mamíferos era solitário.

As descobertas indicam que, para espécies nas quais as fêmeas viviam sós em grandes territórios para evitar a competição por alimento e outros recursos, os machos eram incapazes de proteger múltiplas fêmeas, e então se tornaram monogâmicos.

“Nos mamíferos, a monogamia social resulta da distribuição de recursos”, disse hoje à imprensa o pesquisador Dieter Lukas, da Universidade Cambridge.  As fêmeas eram limitadas pela distribuição de alimento, e os machos eram limitados pela distribuição das fêmeas, Lukas afirmou.

A monogamia social também era mais comum entre primatas e carnívoros do que em outras espécies, segundo o estudo. As dietas mais específicas desses animais podem ter ampliado a competição por comida, levando as fêmeas a se isolar.

As descobertas falharam na sustentação da ideia de que o risco de infanticídio levou à monogamia nos mamíferos, mesmo nos primatas. Os pesquisadores sugerem que discrepâncias entre os dois estudos podem ser explicadas por diferenças em como o “viver em grupo” é classificado. Por exemplo, certas espécies que a equipe de Opie classificaram como de grupo foram classificadas por Lukas como socialmente monogâmicas. Alternativamente, a amostra menor de animais no estudo de Opie pode ter distorcido seus achados, Lukas e seus colegas disseram.

No entanto, ambos os estudos descobriram que o cuidado paterno foi mais provavelmente uma consequência, não uma causa, da evolução da monogamia.

Fonte: LiveScience

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This entry was posted on 31 de Julho de 2013 by in Biologia and tagged , , , , , , .

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