Make It Clear Brasil

Um apoio ao livre pensamento e a um entendimento do mundo baseado em evidências

Ancestrais do homem e da mulher modernos viveram aproximadamente na mesma época

Cromossomo Y ampliado. O sequenciamento de DNA em alta resolução revelou que os ancestrais comuns mais recentes do homem e da mulher atuais viveram aproximadamente no mesmo período, de acordo com estudo publicado quinta-feira no periódico Science. Foto: Andrew Syred.

Cromossomo Y ampliado. O sequenciamento de DNA em alta resolução revelou que os ancestrais comuns mais recentes do homem e da mulher atuais viveram aproximadamente no mesmo período, de acordo com estudo publicado quinta-feira no periódico Science. Foto: Andrew Syred.

Os ancestrais comuns mais recentes de homens e mulheres modernos (que podem ser  apelidados de “Adão” e “Eva”, usando a lenda bíblica) viveram aproximadamente na mesma época, contrariando estudos anteriores que indicavam que Eva seria dezenas de milhares de anos mais antiga.

Dois estudos que chegaram à nova conclusão foram publicados no periódico Science. Os pesquisadores sequenciaram DNA de duas fontes: o cromossomo Y, transferido somente de pai para filho; e a mitocôndria, que dá energia às células e é transmitida somente da mãe para os filhos. Ambos são importantes fontes para o estudo da ancestralidade porque não permutam material genético, ao contrário do restante do genoma humano, informa o Los Angeles Times.

Até a publicação dos estudos recentes, os cientistas estimavam que “Eva” teria vivido há 190-200 mil anos, enquanto que “Adão” teria vivido muito mais recentemente, entre 50 e 115 mil anos atrás. Porém, a discrepância gerou suspeitas entre especialistas: como seres separados por até 150 mil anos não deram origem a espécies distintas?

A diferença na localização temporal dos estudos anteriores pode ter resultado de limitações no sequenciamento de DNA, já que, na época, era mais difícil sequenciar grandes pedaços de material genético, restando aos cientistas analisar alguns trechos curtos do cromossomo Y. Por exemplo, geneticistas da Universidade Stanford obtiveram amostras de DNA de 69 homens de diversos países, decodificaram-nas e encontraram cerca de 11 mil mutações; estudos anteriores haviam encontrado apenas algumas centenas delas.

Hoje temos tecnologia para examinar porções maiores de DNA de forma mais barata e rápida, o que habilita a busca pelos nossos ancestrais. “Como cada mutação equivale a um ponto de ramificação da árvore evolutiva, os novos dados possibilitaram aos pesquisadores estabelecer relações de ancestralidade com um incrível detalhamento”, afirma o LA Times.

Funcionou da seguinte forma: depois de construírem a árvore evolutiva, rastreou-se um evento único — a migração dos humanos para a América há 15 mil anos, baseando-se nos padrões de mutação entre os indivíduos indicando uma rápida migração para o continente. Então, foi feito um exame entre os nativos americanos de hoje para que se pudesse calcular quão velozes são as mutações no DNA. Então, foi possível estimar a duração, em anos, de cada ramo da árvore genealógica.

Resultou daí o entendimento de que “Adão” teria vivido ao redor de 120-156 mil anos atrás. Repetindo o experimento com o DNA mitocondrial, concluiu-se que “Eva” viveu de 99 mil a 148 mil anos atrás, o que demonstra que ambos viveram mais ou menos na mesma época.

Outro estudo, de autoria de pesquisadores italianos liderados pelo geneticista da Universidade de Sassari Paolo Francalacci, sequenciou o DNA de cromossomos Y de 1.204 homens da Sardenha, ilha italiana. Utilizaram a propagação dos humanos na ilha como ponto de referência — como foi feito com a migração para a América no estudo supracitado — e também encontraram cerca de 11 mil mutações. Estimou-se que “Adão” teria vivido entre 180 e 200 mil anos atrás.

O geneticista líder do primeiro estudo, David Poznik, alertou para o fato de que os ancestrais comuns mais recentes não necessariamente representam “o homem ou a mulher fundadores da humanidade”, ou os únicos a terem descendentes hoje em dia. Ao LA Times, Poznik pontuou que “[o] mais recente ancestral comum macho é só o indivíduo cujo cromossomo Y sobrevive até hoje, enquanto que o de seus contemporâneos morreu”, e o mesmo vale para a fêmea.

Fonte: Los Angeles Times

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Information

This entry was posted on 2 de Agosto de 2013 by in Biologia, Ciência e Tecnologia and tagged , , , , , , , , , .

Navegação

%d bloggers like this: