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Buraco negro da Via Láctea se “alimenta” menos que o normal

Impressão artística do pulsar (à esquerda) e seu vizinho Sagittarius A* (direita). O campo magnético do buraco negro pode explicar sua dieta relativamente fraca. Crédito: R. P. Eatough.

Impressão artística do pulsar (à esquerda) e seu vizinho Sagittarius A* (direita). O campo magnético do buraco negro pode explicar sua dieta relativamente fraca. R. P. Eatough.

No centro da nossa galáxia se encontra um buraco negro cuja massa chega a 4 milhões de vezes a do Sol. O comportamento desse objeto supermassivo está sendo desvendado com a ajuda de uma estrela que estranhamente se encontra nas suas vizinhanças.

Conhecido como Sagittarius A* (ou apenas Sgr A*), o buraco negro consome apenas um pequena parte de todo o alimento disponível — um buffet de gases e poeira lançados por estrelas próximas, segundo Heino Falcke, radioastrônomo da Radboud University Nijmegen, Holanda. O que explicaria este fenômeno?

Astrônomos observaram uma estrela de rápida rotação conhecida como pulsar nos arredores de Sgr A* e, através dela, obtiveram uma estimativa do campo magnético associado ao buraco negro.

Pulsares emitem luz polarizada que, na prática, são ondas de rádio que vibram em um plano específico enquanto viajam pelo espaço. Quando as ondas atravessam uma região magnetizada, a polarização muda de direção proporcionalmente à força do campo magnético. Disso decorre a capacidade que o pulsar tem de revelar campos magnéticos nas suas vizinhanças.

Quando souberam que telescópios de raios-X indicaram a presença do pulsar a somente um terço de ano-luz de distância do Sgr A*, Falcke e seus pares passaram a fazer observações no observatório de rádio Effelsberg, na Alemanha. Com o uso deste e de outros telescópios, a equipe pôde medir a polarização do pulsar e descobriu que o campo magnético perto da estrela vale, pelo menos, 2.6 miligauss. (Gauss, ou G, é a unidade de medida de campos magnéticos, também definida como a densidade do fluxo magnético.)

2.6 miligauss são apenas 2% do campo magnético na superfície da Terra, mas, de acordo com Falcke, o valor é surpreendentemente elevado. Além do mais, conforme nos aproximássemos do buraco negro, perceberíamos que o campo pode valer centenas de gauss.

“Nós sempre soubemos que o campo magnético era importante, mas não sabíamos quão forte para sintonizá-lo aos nossos modelos”, disse à Science o astrofísico  Christopher Reynolds, que não esteve envolvido no projeto.

Gás e poeira próximos a um buraco negro não caem diretamente na boca dele porque possuem energia de rotação (momentum angular), razão pela qual a Terra não cai em direção ao Sol. Então, pequenos campos magnéticos geram certa turbulência que retira parte desse momentum angular, facilitando a queda. Porém, estudos afirmam que um campo magnético suficientemente grande, como o encontrado por Falcke, pode fazer o oposto, ou seja, evitar a queda de material e colocar o buraco negro em um dieta de fome, afirma Reynolds.

Acredita-se que no centro de cada galáxia grande haja um buraco negro supermassivo, cuja massa cresce pari passu à da própria galáxia. Assim, entender como tais buracos crescem pode ajudar na compreensão do processo através do qual as galáxias ganham massa.

Fonte: Science

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