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O Guia de Contradições da Bíblia

Aqui vai uma dica excelente para que fala bem o inglês. Há alguns anos, Chris Harrison criou a bela imagem que vemos abaixo relacionando todas as referências cruzadas da Bíblia. Por exemplo, se um verso do Novo Testamento remete a um do Antigo Testamento, é desenhado um arco entre os capítulos que fazem parte da referência (as linhas verticais ao fundo representam o número de versículos do capítulo).

Guia de referências da Bíblia

A análise de Harrison concluiu que existem 63,779 referências cruzadas nos escritos da Bíblia.

Já em 2009, Andy Marlow utilizou o trabalho anterior para criar um guia com arcos relacionados somente a contradições e incongruências, tal como mostrado (em baixa resolução) abaixo:

Felizmente, este guia inclui os tipos de contradição e em que passagens elas ocorrem. Veja os exemplos abaixo:

“1. Quantos homens o chefe dos capitães de Davi matou? Sam 2, 23:8 ≠ Cor 1,11:11
[…]
3. Quantos filhos teve Abraão? Heb 11:17, Gen 22:2 ≠ Gen 16:15, 21:2-3, 25:1-2, 4:22”

Mas, para facilitar ainda mais o acesso a essas pérolas, Daniel Taylor nos brindou com uma versão com design diferente. No seu site, o BibViz.com, vemos os mesmos arcos contraditórios de Marlow, porém, quando posicionamos o ponteiro do mouse sobre um deles, aparece no topo direito da tela quais versos, e porque, estão ligados. Se clicar em um arco, será redirecionado a uma página da Skeptical Annotaded Bible que apresenta os versos para efeito de comparação.

Além disso Taylor incluiu dados como a quantidade de versos que falam de absurdos científicos, violência/crueldade, misoginia/discriminação contra mulheres (imagem a seguir) e discriminação contra homossexuais.

A grande barra da esquerda corresponde ao gênese, livro em que ocorrem mais versículos misóginos. Novamente, clicar nas barras levará o leitor à Skeptical Annotaded Bible, onde as passagens bíblicas estão destacadas.

Perguntado sobre a razão que o teria levado a criar esta obra-prima, Taylor indicou a presença de pessoas extremamente religiosas em sua família que, possivelmente, levam a Bíblia ao “pé da letra”.

E você, conhece alguém que interpreta os escritos ditos “sagrados” como verdade absoluta e literal? Indique a esse alguém os links acessíveis ao clicar-se nas imagens deste post.  Se quiser um conselho, indique também o Capítulo 7 – “O livro do “bem” e o Zeitgeist moral mutante” de Deus, um delírio, por Richard Dawkins. Nele, o autor defende a tese de que nossos quesitos morais não dependem da religião, muito menos são gerados pela interpretação literal de tais textos antigos. Ao contrário, NÓS costumamos escolher o que ler destes livros de acordo com nossas próprias posições morais.

Fonte: Friendly Atheist

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3 comments on “O Guia de Contradições da Bíblia

  1. Xavier
    1 de Agosto de 2014

    Quem conseguir demonstrar uma única contradição na Bíblia ficará para sempre mundialmente famoso – mais famoso do que Sócrates, Platão ou Aristóteles. Será, com certeza, um autor estudado em universidades do mundo inteiro. Ser-lhe-ão erguidas estátuas, em reconhecimento de tal façanha intelectual. Até hoje, no entanto, ninguém conseguiu alcançar tal glória e fama.

    Há realmente pessoas que gostam que lhes digam coisas que elas querem ouvir, inclusive gostam que se lhes diga que a Bíblia está cheia de contradições. Por outro lado, há pessoas que gostam de dizer o que outras pessoas querem ouvir, inclusive gostam de dizer que a Bíblia tem contradições. Porém, nenhum filósofo, nenhum lógico, nenhum matemático, nenhum teólogo, nenhum cientista ou qualquer outra pessoa, no passado ou no presente, jamais encontrou uma única contradição nas páginas da Bíblia.

    É certo que tem havido alegações de que a Bíblia contém contradições. Algumas dessas alegadas contradições são apresentadas no curioso site The Skeptic’s Annotated Bible — cuja versão em língua portuguesa é a Bíblia do Cético Comentada — que tem o grande mérito de levantar questões e desafios intelectuais. Porém, submetidas essas alegadas contradições da Bíblia à análise científica proporcionada pela maquinaria pesada da Semântica, da Sintaxe, da Pragmática e da Lógica, verifica-se que nenhuma dessas «contradições» da Bíblia é genuína. Todas elas são fabricadas pelo intérprete, pelo tradutor ou por ambos, através de uma operação ou manobra de acréscimo de texto que não consta no texto da própria Bíblia, ou através da omissão e da eliminação de texto que consta da própria Bíblia.

    Muitas dessas pessoas que dizem que a Bíblia tem contradições – e que até espalham isso através de livros e de folhetos ou pela televisão e pela internet – nem sequer sabem o que é a Bíblia. Lembremos, pois, que a Bíblia é um livro em língua hebraica (com alguns trechos em aramaico) e em língua grega, composto de contributos de cerca de quarenta escritores, começando por Moisés, no ano 1513 antes da nossa era, e terminando em João, no ano 98 da nossa era. Para melhor clareza e agilidade de raciocínio, designemos por a esse livro, a Bíblia. Acontece que o objeto a, a Bíblia, tem sido traduzido para muitas outras línguas – para milhares delas, sendo o livro mais traduzido do mundo. Designemos por x uma qualquer das traduções de a. Observe-se que a e x são objetos distintos. Por exemplo, todo o x é posterior a a e nenhum x é escrito, nas mesmas passagens, na língua hebraica, aramaica e grega do tempo de a; além disso, a pode existir sem existir x, mas x não pode existir sem existir a, e a é absolutamente independente de x, sendo que nada do que afeta x afeta a. Ora, a simples inspeção ao site The Skeptic’s Annotated Bible revela que aí se não trata do objeto a, a Bíblia. Aí se trata de um objeto x, que é distinto de a, mais concretamente, aí se considera a tradução King James Bible (Versão Rei Jaime). Do mesmo modo, também a simples inpeção ao site da Bíblia do Cético Comentada comprova que aí se não trata do objeto a, a Bíblia. Aí se trata de um objeto x, que é distinto, mais especificamente, como lá se informa, a Bíblia do Cético Comentada se baseia numa tradução de a denominada Nova Versão Internacional, publicada em 2001, i.e. uns 2.000 anos depois de a existir. A Bíblia não é um livro em língua portuguesa, nem em língua inglesa. Observe-se que não existe uma Bíblia original e uma Bíblia não original – assim como também não existe um Alcorão original e um Alcorão não original, ou uma Tanakh original e uma Tanakh não original, ou uns Lusíadas originais e uns Lusíadas não originais. O que existe são traduções dessas obras. Note-se até que há pelo menos uma organização religiosa que traduziu a Bíblia para a língua portuguesa (português do Brasil) e que, em vez de intitular essa obra Bíblia, ou Bíblia Sagrada ou Escrituras Sagradas, intitulou-a, muito honestamente, Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas. É uma tradução. Assim, as pessoas sabem o que têm em mãos. Por conseguinte, alguém que queira demonstrar uma inconsistência ou contradição na Bíblia tem de falar da Bíblia; alguém que queira demonstrar uma inconsistência ou contradição em Os Lusíadas tem de falar de Os Lusíadas. Se, em vez disso, falar de uma tradução e, portanto, se passar de eventuais contradições, erros ou incongruências do objeto x para daí se concluir que existem contradições, erros e incongruências no objeto a, que é distinto de x e anterior a x, comete um vício lógico do maior grau de gravidade, referenciado na literatura da especialidade como «falácia do espantalho», e seus argumentos não merecem a mínima credibilidade. O mesmo vício lógico seria cometido por alguém que pretendesse demonstrar uma contradição ou um erro histórico nas obras de William Shakespeare ou de Molière só com base numa tradução, por exemplo, uma tradução que alguém fez para a língua portuguesa, sem qualquer consideração do texto original escrito, respectivamente, em inglês e francês. Os proponentes e defensores de tais argumentos viciados pela falácia do espantalho expõem-se ao ridículo perante a comunidade científica, filosófica e acadêmica.

    Todo o raciocínio em que se baseiam The Skeptic’s Annotated Bible e a Bíblia do Cético Comentada assenta nesta falácia do espantalho e, por isso, de uma só vez, fica demonstrado que The Skeptic’s Annotated Bible e a Bíblia do Cético Comentada nenhuma prova fazem quanto a sequer uma qualquer alegada contradição de todas as alegadas contradições da Bíblia. O fracasso é completo. Naturalmente, o vício lógico da falácia do espantalho ficará sanado quando os autores de The Skeptic’s Annotated Bible e da Bíblia do Cético Comentada tomarem como objeto de análise a própria Bíblia, e não uma tradução da Bíblia, e nela efetivamente demonstrarem erros e contradições.

    Adicionalmente, algumas dessas pessoas que dizem que a Bíblia tem contradições nem sequer sabem o que é uma contradição. As contradições são problemas de Lógica e não problemas de Filologia. Convém recapitular o que é uma contradição. A ciência que estuda as contradições é a Lógica. De acordo com a Lógica, uma contradição é uma frase, proposição ou fórmula do género «este homem casado é solteiro», «aquele animal é todo preto e todo branco», «desenhei um triângulo quadrado» ou «a Bíblia é divinamente inspirada e a Bíblia não é divinamente inspirada» ou «é proibido matar x e não é proibido matar x». Acresce que – como lembra a Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos (de João Branquinho/Desidério Murcho, sob a entrada «Contradição» –, só existe contradição quando uma frase, proposição ou fórmula «é falsa em todas as interpretações», ou seja é falsa em todas as situações possíveis. Por exemplo, a frase «Lula foi um bom presidente e Lula não foi um bom presidente» só é uma contradição se for interpretada em termos absolutos, mas não é uma contradição se o falante quiser significar que Lula sob certo aspecto foi um bom presidente (por exemplo, sob o aspecto da assistência aos mais carenciados) e sob outro aspecto (por exemplo, o aspecto da corrupção) Lula não foi um bom presidente; ou a frase «a Seleção do Brasil jogou bem e jogou mal» não é uma contradição se quem a profere quer dizer que sob certo aspecto (por exemplo, o aspecto de jogar ao ataque) jogou bem, e sob outro aspecto (por exemplo, o aspecto de jogar à defesa) jogou mal.

    Ora, as pessoas com conhecimentos científicos adequados sabem que a Bíblia não tem e não pode ter contradições, visto que, para isso, seria necessário (1) selecionar pelo menos duas frases da Bíblia, (2) demonstrar que cada uma dessas frases só pode ser verdadeira numa única situação; (3) demonstrar que não existe nenhuma situação em que ambas as frases sejam verdadeiras. Simplesmente, é impossível fazer a demonstração de (2) e (3). Na verdade, a Lógica e a Matemática ensinam-nos que há coisas que não existem. Por exemplo, não existem quadrados redondos, nem existe um número maior que os outros todos, e não existe nem é possível descobrir ou inventar um calmante que excite as pessoas. Semelhantemente, a Lógica e a Matemática, em particular a Teoria dos Conjuntos, ensinam-nos que é impossível encontrar contradições na Bíblia. Tentar encontrar uma contradição na Bíblia é a mesma coisa que tentar encontrar um homem solteiro que seja casado. Esta é a segunda razão pela qual os proponentes e defensores da tese de que a Bíblia contém contradições se expõem ao ridículo perante a comunidade científica, filosófica e acadêmica.

    Assim, mesmo que The Skeptic’s Annotated Bible e a Bíblia do Cético Comentada analisassem a própria Bíblia – e não uma tradução, como fazem –, afastando, deste modo, a falácia do espantalho, o seu fracasso em provar qualquer contradição da Bíblia é sempre completo e absoluto, como a Lógica o demonstra.

    Vamos dar tudo isto de barato e continuar a discutir uma a uma todas as pretensas contradições da Bíblia enunciadas em The Skeptic’s Annotated Bible e na Bíblia do Cético Comentada. Essa discussão tem muito interesse porque associado a ela está um grande conjunto de verdades, conforme se verá – à luz da Lógica, da Razão e da Ciência.
    http://contradicoesdabiblia.com/

    • Augusto
      5 de Novembro de 2014

      O pior cego é aquele que não quer ver. Desconfie daquele que escreve uma tese pra refutar algo que é tão óbvio (para quem tem os olhos abertos, tem boa vontade e não está cego pela fé) quanto as contradições bíblicas.

      Um trabalho feito a 40 mãos que nem chegaram a se tocar/conhecer num período de mais de 1600 anos? Tem mais buracos do que um queijo suiço!
      Prefiro ficar do lado da razão e do bem senso do que fechar os olhos.

  2. xavierbastos2007
    8 de Setembro de 2015

    O que é a Bíblia ?

    A Bíblia é a reunião deste conjunto ordenado de palavras da língua hebraica (incluindo alguns trechos em aramaico) com este conjunto ordenado de palavras da língua grega. Nada que existe noutras línguas é a Bíblia. O que existe noutras línguas (português, inglês, chinês) são traduções, todas feitas séculos depois de a Bíblia ter sido concluída. Por conseguinte, a Bíblia não é, por exemplo, a Vulgata, nem a tradução de João Ferreira de Almeida, nem a Versão Rei Jaime. Estas obras – muito valiosas, sem dúvida – são traduções. A Bíblia ficou completa no fim do 1º século da nossa Era.

    A Bíblia não é um livro. Já existia antes de haver livros. Não se deve confundir a Bíblia (o conjunto ordenado de palavras) com o suporte em que se encontra a Bíblia ou parte dela. Tal suporte pode ser pedra, argila, papiro, velino, papel, tela de computador ou de celular, uma fita magnética, um disco, um arquivo mp3, ou, além de mais coisas, o cérebro humano (pois há pessoas que sabem a Bíblia de cor). A Bíblia é incorpórea e, por isso, incorruptível. Em contraste com ela, os suportes em que a Bíblia se materializa ou se acha documentada são todos perecíveis.
    http://bibliadocetico.com

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This entry was posted on 19 de Agosto de 2013 by in Religião and tagged , , .

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