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Bebês aprendem a reconhecer palavras nos ventres das mães

Eletroencefalogramas mostram que os bebês reconhecem palavras que ouviram no útero. Foto: Veikko Somerpuro/University of Helsinki

Eletroencefalogramas mostram que os bebês reconhecem palavras que ouviram no útero. Foto: Veikko Somerpuro/University of Helsinki

Especialistas afirmam que um feto desenvolvido não só pode ouvir os sons do mundo exterior, como é capaz de reter memórias deles após o nascimento. Apesar de parecer implausível que um feto possa ouvir palavras dentro do ventre da mãe, as partes do cérebro que processam informações sonoras ficam ativas no último trimestre da gravidez.

O neurocientista cognitivo Eino Partanen, da Universidade de Helsinque, Finlândia, sugere que os fetos podem ouvir e identificar os ritmos da fala e da música, por exemplo. Estudo interior havia indicado que recém-nascidos reconhecem a trilha sonora da telenovela favorita das mães; outra pesquisa mostrou que os recém-nascidos já estavam familiarizados com os sons da língua falada pelos pais.

Porém, estes estudos se baseavam no comportamento de bebês, que pode ser particularmente difícil de testar. Partanen e sua equipe, então, equiparam bebês com sensores para eletroencefalograma (EEG), procurando por sinais nervosos de memórias arquivadas no útero. “Uma vez que aprendemos um som, se ele é repetido para nós com uma frequência suficiente, formamos uma memória dele, a qual é ativada quando ouvimos o som novamente”, explica. A partir daí, a memória do som agiliza seu reconhecimento no cérebro do aprendiz e pode ser detectada por meio de ondas cerebrais, mesmo que o bebê esteja dormindo.

Os pesquisadores deram uma gravação a mulheres grávidas para que fosse reproduzida diversas vezes por semana durante os últimos meses de gravidez. A gravação incluía uma palavra inventada, “tatata”, que se repetia e era intercalada por músicas. Por vezes a sílaba do meio variava para uma intensidade ou um som da vogal diferentes.

No nascimento, as crianças tinham ouvido o neologismo, em média, mais de 25 mil vezes. Quando testados, seus cérebros reconheceram a palavra e sua variância, enquanto que os cérebros das crianças de um grupo controle não o fizeram, segundo artigo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os bebês que ouviram a gravação demonstraram o sinal nervoso para o reconhecimento das mudanças de vogal e intensidade na palavra inventada e, quanto mais tivessem ouvido a gravação, mais forte era o sinal. Partanen diz que “[i]sto nos leva a crer que o feto pode aprender informações muito mais detalhadas do que pensávamos”.

O estudo da Universidade de Helsinque foi elogiado por outros cientistas, como Patricia Kuhl, neurocientista da Universidade de Washington em Seattle (Estados Unidos). Kuhl afirma que, combinados com trabalhos anteriores, os resultados do estudo atual sugerem “que o aprendizado da linguagem começa no ventre”.

Entretanto, ao contrário do que se costuma pensar, os resultados não significam que tocar gravações de músicas e linguagem ajudará a criança. Partanen pondera não haver evidências sólidas de que o estímulo anormal (além dos sons cotidianos) possa causar benefícios aos bebês. Christine Moon, psicóloga da Pacific Lutheran University em Tacoma, Washington, ainda alerta para o fato de que tocar sons com os alto-falantes próximos da barriga pode ser prejudicial por estimular demais o ouvido fetal em desenvolvimento. Isto pode acarretar interferências no sistema auditivo e nos ciclos de sono dos bebês.

Mas Partanen também especula que crianças com riscos de dislexia e de transtornos no processamento auditivo possam se beneficiar de tratamentos à base dos sons corretos durante a gravidez. Por enquanto, não passa de “um grande ‘se'”.

Fonte: Science

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This entry was posted on 2 de Setembro de 2013 by in Psicologia and tagged , , , , , .

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