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Novas espécies de peixe-elétrico descobertas; “fiação” surpreende

A descoberta de duas novas espécies de peixe-elétrico no Rio Amazonas, cada uma com suas especificidades na geração de carga elétrica, deixou os cientistas “chocados”.

Ao contrário do seu parente famoso, o poraquê, que pode gerar uma carga elétrica de centenas de volts, estes peixes produzem cargas muito menores. Isto tem a ver com o uso que fazem da eletricidade.

O poraquê usa eletricidade para paralisar suas presas e dissuadir predadores; as espécies recém-descobertas a usam para a locomoção nas águas turvas do ambiente onde vivem — sob a densa vegetação aquática das margens do Amazonas brasileiro. Estas espécies produzem pulsos elétricos de algumas centenas de milivolts a partir do órgão elétrico (ou eletrócito), estrutura localizada na cauda dos animais. O órgão elétrico capta distorções no campo elétrico do peixe provocadas por objetos e o ajuda a navegar através de mecanismo conhecido como eletrolocalização.

As duas espécies descobertas e a diferença entre as correntes elétricas que produzem. Imagem: John P. Sullivan, PhD, Cornell Laboratory of Ornithology

As duas espécies descobertas e a diferença entre as correntes elétricas que produzem. Imagem: John P. Sullivan, PhD, Cornell Laboratory of Ornithology

Como o leitor pode verificar na imagem acima, a espécie  Brachyhypopomus bennetti tem a cauda mais curta e grossa, contando com um grande órgão elétrico. Já a espécie Brachyhypopomus walteri possui eletrócito menor e sua cauda é comprida e fina. 

No entanto, a maior diferença entre as espécies diz respeito ao tipo de sinais elétricos que geram. Assim como a maioria dos peixes-elétricos, o B. walteri produz sinais elétricos com uma fase positiva e uma negativa, ou seja, constituindo uma corrente alternada. Por outro lado, o B. bennetti gera uma corrente contínua: os sinais elétricos têm apenas uma fase, de acordo com estudo realizado por John Sullivan, da Cornell University. Por que este segundo mecanismo poderia ter prosperado na natureza? A equipe de Sullivan pode ter a resposta.

Os pesquisadores observaram que muitos B. bennetti tinham um mesmo ferimento: suas caudas haviam sido mordidas por predadores. Para a equipe, a preferência pelo habitat de densa vegetação flutuante da bacia amazônica põe o animal em constante risco e, consequentemente, muitos têm parte da cauda arrancada por predadores.

Isto seria extremamente ruim para a porção maioritária dos peixes-elétricos, a que produz correntes alternadas, pois danos na cauda podem levar a uma alteração significativa dos sinais elétricos produzidos por elas; mas a corrente contínua do B. bennetti praticamente não é afetada pelo ferimento na cauda. Especula-se que a evolução deste tipo de pulso elétrico pode ter se dado para auxiliar o animal a sobreviver mesmo com as frequentes mordidas sofridas por eles.

Ainda, os autores do estudo publicado no periódico ZooKeys sugerem que diferenças no estilo de vida da espécie B. walteri poderiam explicar a razão desta espécie não ter também desenvolvido o modelo de corrente contínua, apesar de viver no mesmo ambiente da B. bennetti.

Fonte: National Geographic

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This entry was posted on 2 de Setembro de 2013 by in Biologia and tagged , , , , , .

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