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‘Ventos da mudança’… ou ‘Mudança de ventos’?

A Nuvem Interestelar Local, que atravessamos conforme nosso sistema solar viaja espaço afora.  Nos eixos vertical e horizontal, temos as dimensões da nuvem em anos-luz. Foto: NASA/Goddard/Adler/University of Chicago/Wesleyan University

A Nuvem Interestelar Local, que atravessamos conforme nosso sistema solar viaja espaço afora. Nos eixos vertical e horizontal, temos as dimensões da nuvem em anos-luz. Foto: NASA/Goddard/Adler/University of Chicago/Wesleyan University

Assim como a Terra e os outros planetas orbitam o Sol, o próprio Sistema Solar viaja pelo espaço. No momento, estamos atravessando uma esparsa vastidão de gás denominada de Nuvem Interestelar Local, na qual astrônomos detectaram sinais de turbulência. Os estudiosos apontam para uma mudança na direção dos átomos de hélio que fluem para dentro do nosso sistema solar, fato que, consolidando-se, pode acarretar alterações dramáticas na dinâmica deste.

A revista Science de 6 de Setembro traz estudo conduzido por David McComas (Southwest Research Institute em San Antonio, EUA), Priscilla Frisch (Universidade de Chicago) e colegas, cuja conclusão pode prever uma mudança na heliosfera, região caracterizada pela presença de partículas carregadas emitidas pelo Sol — o chamado vento solar — e que nos protege da ação de raios cósmicos externos. O tamanho e formato da heliosfera depende do equilíbrio entre o impulso do vento solar e da pressão realizada pelo gás da Nuvem Interestelar Local — o vento interestelar.

A detecção da mudança do vento partiu da análise de medições feitas por 11 sondas espaciais e satélites que mantêm registros diretos ou indiretos do fluxo de átomos de hélio para dentro do Sistema Solar. O influxo de hélio é um bom índice porque este elemento é abundante e normalmente sobrevive em seu estado atômico descarregado até chegar à órbita da Terra, diz Frisch.

O estudo indica que a mudança na direção do vento parece ter sido de 4 a 9 graus nos últimos 40 anos. Porém, se a mudança continuar e o vento se dirigir para o outro lado do Sistema Solar, pode ocorrer uma séria distorção da heliosfera, observa o astrônomo William Reach, da Universities Space Research Association no Ames Research Center (NASA) em Moffett Field, Califórnia. Apesar de não ter feito parte do estudo, Reach afirma que uma heliosfera menor pode deixar que raios cósmicos danosos à vida terrestre cheguem até nós.

Por outro lado, Jeff Linsky, da Universidade de Boulder, Colorado, que também não fez parte do trabalho, afirma que o novo resultado indica que a heliosfera está saindo da Nuvem Interestelar Local e se dirigindo a uma outra região, na qual o vento possui direção diferente. Frisch discorda e acrescenta que a turbulência não deve ser grande.

Por ora, a descoberta propõe uma nova perspectiva sobre o modelo da interação do vento solar-interestelar. McComas ainda diz que a própria capacidade de registrar tais mudanças no ambiente do Sistema Solar já é “um grande feito”.

Fonte: Science

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This entry was posted on 6 de Setembro de 2013 by in Astronomia and tagged , , , , , , .

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