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2 em 1: Criança de 8 anos morre na noite de núpcias e Surto de sarampo; vacinas homeopáticas suspeitas

Notícias lastimáveis no “2 em 1” de hoje. No Iêmen, uma menina de apenas 8 anos de idade faleceu na sua noite de núpcias. Não, a senhora ou o senhor não leu errado. Ou leu? Talvez eu tenha lido! De novo: uma menina de apenas 8 anos de idade faleceu na sua noite de núpcias. Já no Canadá, um surto de sarampo assusta as autoridades de saúde. A venda de vacinas homeopáticas, ou “nosodos”, pode estar por trás do ressurgimento da doença, normalmente controlada.

Menina de 8 anos de idade morre nas mãos do marido de 40 anos no Iêmen

O periódico Al Bawaba relata que uma criança de 8 anos de idade faleceu na noite de núpcias após sofrer ferimentos internos devidos ao ato sexual. Organizações de direitos humanos pedem a prisão do marido, que tem 40 anos. A morte ocorreu no território tribal de Hardh, no noroeste do Iêmen, perto da fronteira com a Arábia Saudita.

De acordo com dados das Nações Unidas, entre 2011 e 2020, mais de 140 milhões de meninas terão sido transformadas em noivas mirins. Destas, cerca de 50 milhões terão menos de 15 anos de idade no momento do noivado. Além de não terem acesso a saúde e educação, estas meninas são frequentemente submetidas à violência física, emocional e sexual.

Estima-se que mais de um quarto das garotas do Iêmen se casam antes dos 15 anos. Portanto, organizações como o Human Rights Watch buscam estabelecer um limite de idade para o casamento. Para a maioria dessas organizações, a idade legal para o matrimônio deveria ser de 18 anos.

Um limite de 17 anos foi estabelecido por lei no Iêmen em 2009. No entanto, legisladores mais conservadores a vetaram, considerando-a “pouco islâmica”.

Remédios homeopáticos ineficazes podem ter causado surto de sarampo no Canadá

Vacinação

A Agência Pública de Saúde do Canadá recentemente informou quanto ao surto de sarampo que aflige algumas partes do país. À época da notificação, 30 casos haviam sido relatados, 5 vezes mais do que o total do ano anterior. A razão da volta dessa doença, normalmente controlada, pode estar escondida na condescendência do departamento de saúde pública do Canadá (Health Canada, em inglês; Santé Canada, em francês) para com a venda de vacinas homeopáticas — “nosodos”.

De acordo com coluna de opinião do jornal The Star, de autoria de Nathan Kunzer e Arthur Caplan (ambos da escola de medicina da Universidade de Nova York) nosodos não oferecem proteção contra doenças. “Não são eficazes em prevenir, tratar ou curar quaisquer enfermidades para as quais são anunciados.” A própria Associação Homeopática Britânica disse o seguinte: “Não há evidências sugerindo que vacinações homeopáticas possam proteger contra doenças contagiosas. Recomendamos que as pessoas procurem os tratamentos convencionais”.

Apesar disso, o Health Canada aprovou a venda de vacinas homeopáticas. Em seu site, o departamento fala de produtos naturais: “Para serem licenciados no Canadá, produtos de saúde naturais devem ser seguros, eficazes, de alta qualidade e portar informações detalhadas no rótulo para deixar que as pessoas façam escolhas seguras e informadas”.

Postas de lado a segurança e a qualidade, está claro para os autores da coluna que os nosodos não são eficazes e que, pela declaração acima (do site do Health Canada), entende-se que o sejam a despeito da ausência de comprovação científica.

Ressalta-se que o departamento não aprovou a comercialização das vacinas homeopáticas na condição de alternativas às tradicionais. Fica constituída uma dissonância: a agência reconhece que nosodos não são substitutos para a vacinação tradicional, porém, mesmo assim, concorda com o seu licenciamento quando afirma que são remédios eficazes.

Deveria a agência governamental continuar dando essa liberdade de escolha à população às custas da saúde das demais pessoas? Aprovando as vendas deste tipo de medicamento — e, por conseguinte, aprovando a pseudociência —, pode ser reduzida a taxa de imunidade da comunidade, pondo em risco aqueles que são jovens demais para desenvolver imunidade.

Fontes: Al Bawaba, thestar.com

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This entry was posted on 9 de Setembro de 2013 by in Fundamentalismo, Medicina, Religião and tagged , , , , , , , , .

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