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Formigas parasitas lutam como mercenárias

A formiga parasita Megalomyrmex symmetochus (topo) enfrenta a invasora Gnamptogenys hartmani (abaixo).

A formiga parasita Megalomyrmex symmetochus (topo) enfrenta a invasora Gnamptogenys hartmani (abaixo).

Formigas fazendeiras podem recrutar parasitas para que lutem por elas caso sejam atacadas por outra espécie invasora, dizem pesquisadores. A descoberta, publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, sugere que os parasitas nem sempre são algo totalmente indesejado graças às complexas relações entre espécies na natureza.

Cientistas observaram formigas encontradas no Panamá chamadas Sericomyrmex, que criam fungos nas suas fazendas ou jardins. Estas formigas são constantemente parasitadas por outras, as MegalomyrmexAs rainhas Megalomyrmex entram secretamente nas colônias e fazendas das Sericomyrmex e as usam para alimentar suas próprias crias. Por vezes, cortam as asas das rainhas da espécie hospedeira pra impedir o surgimento de novas colônias desta.

A bióloga evolucionária Rachelle Adams, da Universidade de Copenhague, estuda as Megalomyrmex há mais de uma década e reparou que elas eram extremamente comuns se comparadas a outras espécies parasitas, chegando a responder por mais de 80% de algumas populações hospedeiras. A curiosidade a respeito destes fatos levou-a a estudar o veneno das Megalomyrmex.

Para saber o efeito gerado pelo veneno, Adams e seus colaboradores puseram estas parasitas em contato com formigas conhecidas como Gnamptogenys, sendo que as últimas podem invadir e tomar as fazendas das Sericomyrmex e devastar suas colônias.

Os cientistas ficaram surpresos com o resultado do experimento. As formigas fazendeiras fugiam das invasoras enquanto as parasitas surgiam para contra-atacar as Gnamptogenys, matando-as mais rápido do que as mordidas das fazendeiras poderiam.  As parasitas agiam como soldados a serviço de suas hospedeiras, já que as invasoras interfeririam nos interesses de ambas. (Veja como se desenvolve a batalha de formigas que os pesquisadores registraram no vídeo acima.)

Isto ajuda a explicar o porquê de a espécie parasita ser tão comum entre as populações de formigas fazendeiras.

Ao portal LiveScience, Adams disse: “As formigas parasitas são o melhor de dois demônios. Se as invasoras não fossem uma ameça, então as formigas parasitas seriam apenas um fardo para a colônia hospedeira”.

Experimentos confirmaram esta afirmação. Quando escolhem quais colônias atacar, as patrulheiras de espécies invasoras preferem aquelas que não têm o cheiro das parasitas.

Os pesquisadores foram além, e descobriram que as Megalomyrmex travam uma guerra química contra as invasoras. Adams observou que as invasoras atacadas por esta espécie passavam a apresentar um comportamento incomum: atacavam as formigas da própria espécie. Portanto, a cientista sugere que o veneno das parasitas “interrompe o sistema de reconhecimento das invasoras, fazendo com que irmãs ataquem e matem umas às outras”.

Adams conclui que relações simbióticas entre espécies “são mais complexas do que podemos esperar”, e que “[d]evemos ter em mente que interações com espécies adicionais podem criar uma complexidade inesperada” que, por sua vez, “pode mudar a forma como vemos os simbiontes”.

Fonte: LiveScience

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This entry was posted on 10 de Setembro de 2013 by in Biologia and tagged , , , , .

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