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Estudo identifica mutação genética que impede a percepção da dor

Enfermeira aplica injeção em mulher em Nova Orleans, 1941. Foto: Wikipedia

Enfermeira aplica injeção em mulher em Nova Orleans, 1941. Foto: Wikipedia

Pesquisadores europeus identificaram uma mutação genética em seres humanos responsável pela incapacidade de sentir dor. A dissertação, publicada na Nature Genetics, descreve como a equipe encontrou o gene anômalo, comparando os genes de uma garota incapaz de sentir dor com os de seus pais, que a sentem normalmente.

Nós sentimos dor como resultado do estímulo de nocireceptores. Nocireceptores são neurônios espalhados pela pele e por outras partes do corpo que transmitem informações sensoriais. Cada nocireceptor possui três canais de comunicação (SCN9A, SCN10A e SCN11A), por meio dos quais envia sinais nervosos — compostos por íons de sódio que carregam a informação da dor — para a medula espinhal e, por fim, para o cérebro. O gene identificado pelos pesquisadores é responsável pelo desenvolvimento dos canais SCN11A. 

Pesquisas anteriores já haviam relacionado problemas nos canais SCN9A, SCN10A à falta de sensibilidade à dor, que ocorre quando estes canais não conseguem transmitir os íons de sódio. O novo estudo sugere que a mutação no SCN11A funciona da maneira oposta, ou seja, estimulando excessivamente o neurônio e causando um “nó” no trânsito de íons, o que bloqueia a passagem destes.

Os cientistas recorreram a uma garota não identificada que nasceu sem a capacidade de sentir dor — condição que geralmente leva a lesões e ferimentos, pois situações que causam dor não são percebidas. Segundo o estudo, pessoas com essa característica tendem a sofrer queimaduras, cortes e a realizar atividades que as deixam propensas a ter fraturas ósseas. Comparando os genes da menina com os de seus pais (que sentem dor normalmente), a equipe pôde apontar o gene causador da condição da garota, uma mutação que provoca o mal funcionamento dos canais SCN11A.

Para demonstrar que o gene encontrado era mesmo o culpado, os pesquisadores provocaram mutações no mesmo gene em ratos e observaram seu comportamento. Os ratos passaram a ter ferimentos bastante similares aos das pessoas que não sentem dor. Houve, porém, uma diferença significativa: as alterações no gene responsável pela criação dos canais SCN11A nos ratos pareciam não causar uma completa falta de sensações, mas uma redução parcial delas.

Identificar os genes certos em seres humanos pode conduzir ao desenvolvimento de analgésicos mais eficazes, sugere a equipe, que podem fazer grande diferença para quem sente dor, não importando sua fonte.

Fonte: MedicalXpress

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This entry was posted on 16 de Setembro de 2013 by in Medicina and tagged , , , , , .

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