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Nova atividade cerebral registrada no coma profundo

Imagem: Shutterstock

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Os médicos consideram que um paciente atingiu o estado de coma mais profundo quando os aparelhos que registram impulsos elétricos mostram uma linha plana, indicando a ausência de atividade cerebral. Porém, uma nova pesquisa sugere que existe um estágio de coma ainda mais profundo do que se imaginava, e que a atividade cerebral pode ressurgir desse estágio.

Os pesquisadores chegaram às conclusões acima através de experimentos com um paciente em coma induzido (por medicamentos) e de testes subsequentes em gatos. Descobriu-se que aprofundar o coma utilizando uma dose ainda maior das drogas faz o cérebro “silencioso” demonstrar uma atividade nervosa mínima, mas bastante difundida pelo órgão. O estudo foi publicado no periódico PLOS One.

Para que se pudesse avaliar a atividade nervosa, foram realizadas medições por eletroencefalografia (EEG) que mostraram diversas formas de ondas cerebrais. No caso dos pacientes em coma, dependendo da intensidade deste, as formas de onda são alteradas: conforme o coma se aprofunda, o aparelho de EEG apresenta uma linha plana ao invés de uma onda, e assim se caracteriza o estágio crítico entre um cérebro vivo e um morto.

O neurofisiologista da Universidade de Montreal Florin Amzica diz que a “[l]inha plana era a forma de coma mais profunda conhecida”. Porém, o novo estudo indica que há uma modalidade de coma além da linha plana e que “durante este estado de coma muito profundo, a atividade cortical [relativa ao funcionamento do córtex cerebral] revive”, afirma Amzica. O pesquisador ressalta, no entanto, que as descobertas se aplicam a pacientes em coma induzido com cérebros saudáveis, ou seja, aqueles que recebem sangue e oxigênio. É possível, portanto, que os resultados não abarquem casos de pacientes em coma por dano cerebral grave.

O estado de coma recém-descoberto se caracteriza por ondas elétricas que não se assemelham às demais formas de onda que conhecemos dos outros estados de coma, sono ou de quando estamos acordados. As ondas descobertas se originam em uma região cerebral chamada de hipocampo, e então se espalham pelo córtex (a camada externa do cérebro), de acordo com a pesquisa.

Registros de atividade elétrica cerebral do aparelho EEG ligado ao paciente em coma profundo, que recebia doses fortes de medicamentos para controlar convulsões epilépticas, demonstraram formas de onda peculiares e inexplicáveis, reportaram o cientistas. Utilizando drogas anestésicas, o mesmo estado do paciente foi replicado em gatos. Quando os gatos chegavam à linha plana, a dose do anestésico era aumentada e a atividade cerebral ressurgia.

Ainda não se sabe ao certo como a atividade dos neurônios no hipocampo se difunde pelo cérebro, segundo os pesquisadores. Uma possibilidade é a de que silenciar o cérebro ainda mais, pode afrouxar o controle que outras áreas o órgão exercem sobre os neurônios do hipocampo:

“Quanto mais inconsciente está o cérebro, menos essa atividade é perturbada”, disse Amzica. Então, a atividade do hipocampo teria maior probabilidade de adquirir força e se espalhar em direção a outras áreas.

Ainda de acordo com os pesquisadores, as descobertas podem ter potencial terapêutico, uma vez que o coma costuma ser induzido em pacientes que estão em alto risco de dano cerebral por incidentes como traumas físicos, overdose de drogas ou ataques epilépticos. Reduzindo a atividade cerebral e desacelerando o metabolismo encefálico, um coma induzido pode ajudar a proteger o tecido nervoso.

Entretanto, também é plausível que longos períodos de inatividade cerebral resultem na perda de conexões entre neurônios. Um coma igual ao que foi descoberto pode proteger melhor o tecido nervoso porque mantém um nível de atividade mínimo por todo o cérebro, concluem os estudiosos.

Fonte: LiveScience

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This entry was posted on 18 de Setembro de 2013 by in Medicina and tagged , , , , , , , .

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