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Ressuscitar dinossauros? Só em Jurassic Park

Inseto preservado em âmbar. Foto: Universidade de Wisconsin

Inseto preservado em âmbar. Foto: Universidade de Wisconsin

Para a infelicidade dos fãs dos filmes “Jurassic Park”, mas talvez não só deles, um estudo publicado no periódico PLOS ONE detalhou experimentos que demonstraram, de uma vez por todas, que os dinossauros nunca mais andarão sobre a Terra.

O primeiro filme da série, de 1993, baseou-se em um livro de Michael Crichton que descreve um parque temático onde dinossauros foram ressuscitados a partir de amostras de DNA extraídas de mosquitos fossilizados em âmbar. Na década de 1990, isso não parecia utopia, e diversos cientistas chegaram a anunciar a extração de DNA de insetos fossilizados (como os da ficção) há até 130 milhões de anos. Insetos que viveram nessa época, o começo do período Cretáceo, teriam convivido com — e se alimentado do sangue de — dinossauros enormes, pterossauros, aves e mamíferos.

A peça de âmbar que possibilitou o “achado” acima, encontrada no Líbano, era, até recentemente, a mais antiga do mundo, ainda mais antiga do que o comum âmbar dominicano (formado há cerca de 16 milhões de anos) e do que o âmbar encontrado no Báltico. Porém, no ano passado, ácaros minúsculos foram descobertos em âmbar pela primeira vez, datando do período Triássico — 230 milhões de anos atrás.

Apesar de parecer plausível a hipótese de que o DNA de dinossauros possa ser extraído do sistema digestivo dos insetos preservados, a natureza molecular frágil do DNA e a imensidão temporal que envolve a fossilização levaram cientistas a pôr em dúvida as alegações de que se houvera obtido DNA tão antigo — incluindo o do próprio inseto.

O paleontólogo e especialista em aracnídeos e insetos preservados em âmbar David Penney, da Universidade de Manchester (Reino Unido), realizou experimentos para transformar as dúvidas em conclusões: seria possível extrair DNA de criaturas fossilizadas em âmbar? Junto a Terry Brown, especialista em DNA antigo da mesma universidade, Penney utilizou técnicas de “última geração” para extração e amostragem de DNA a fim de evitar a contaminação.

“Quaisquer traços de DNA serão pedaços de material antigo e fragmentado, então, é importante evitar a contaminação com DNA moderno”, disse Penney. Os laboratórios usados pelos cientistas (vestidos com trajes inteiramente descontaminados) em Manchester são esterilizados e têm o ar filtrado.

Os espécimes dos quais foi extraído material genético com sucesso foram abelhas sem ferrão (insetos que habitam zonas tropicais e sub-tropicais do planeta, dentre as quais, Austrália, África e América do Sul). Penney usou exemplares da mesma espécie, um deles com cerca de 10.600 anos de idade, outro preservado logo após a Segunda Guerra Mundial, há cerca de 60 anos. Ambos os exemplares foram retirados do copal — forma endurecida da seiva das árvores que está no meio do caminho entre a seiva propriamente dita e a fossilização.

Quanto aos resultados, “[n]o espécime mais antigo, nós não encontramos qualquer DNA viável”, afirmou Penney, enquanto que “[n]o espécime mais novo, encontramos diversos DNAs bacterianos e outros, mas nada definitivamente da abelha”.

Brown explica que uma antiga técnica conhecida como Reação em cadeia da polimerase (em inglês, Polymerase chain reaction – PCR), usada nos experimentos dos anos 1990, pode ter causado problemas. Segundo ele, o processo “amplificará preferencialmente quaisquer moléculas de DNA modernas e intactas que contaminem uma amostra das [moléculas] antigas e parcialmente deterioradas, e dará resultados falsos positivos que podem ser confundidos com DNA antigo genuíno”.

O processo de fossilização, seja ele na rocha ou no âmbar, altera a composição química do organismo preservado, de forma que, com o tempo, calor e pressão, o organismo é transformado e não mais contém o material orgânico que pode abrigar o ácido desoxirribonucleico.

Portanto, se não é possível extrair DNA de uma abelha que tem a mesma idade de uma pessoa viva hoje, também é impossível que ele possa ser obtido de espécimes de centenas de milhões de anos.

Isso não significa que os fósseis em âmbar sejam inúteis; ao contrário, “[a] preservação dessas criaturas em âmbar é extraordinária, e elas nos dão uma compreensão do passado e podem lançar uma luz sobre o possível futuro das florestas tropicais de hoje”, afirma Penney. O próprio pesquisador esperava encontrar algum traço de DNA no espécime mais novo, mas parece que Jurassic Park “deve ficar no campo da ficção”.

Fonte: Ars Technica

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One comment on “Ressuscitar dinossauros? Só em Jurassic Park

  1. Paulo Tavares Junior
    27 de Maio de 2015

    A tecnologia tende a evoluir, se superar e se surpreender com o tempo. Quem afirma que algo não será possível está sendo leviano ou escondendo as verdadeiras intenções, já que cientistas nunca param de pesquisar. Além disso, a própria tecnologia que se tem hoje era considerada impossível ou inimaginável para povos do passado. A Ciência se aprimora e se corrige, desbrava conceitos e torna o impossível possível no seu devido tempo.

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This entry was posted on 19 de Setembro de 2013 by in Paleontologia and tagged , , , , , .

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