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Ratos infectados pelo Toxoplasma continuam sem medo dos gatos mesmo quando se livram do parasita

Estudo sugere que a perda do medo dos ratos em relação aos seus predadores causada por um parasita pode permanecer mesmo depois de os roedores se descontaminarem.

Estudo sugere que a perda do medo dos ratos em relação aos seus predadores causada por um parasita pode permanecer mesmo depois de os roedores se descontaminarem.

Infecções causadas pelo protozoário parasita Toxoplasma gondii podem atingir um estágio no qual os ratos perdem o medo natural que sentem dos gatos. Esta falta de medo pode persistir mesmo que o parasita não seja mais detectável nos cérebros dos ratos, o que implica que a infecção inicial talvez provoque mudanças permanentes nos mecanismos que provocam o medo em relação aos predadores. A hipótese, de autoria de Wendy Ingram foi publicada no periódico PLOS ONE.

Toxoplasma pode ser fatal em pacientes humanos com o sistema imunológico deficiente, mas seus efeitos sobre os ratos também são dignos de estudo. Os roedores infectados, como mencionado acima, perdem o medo dos gatos, o que é bom para ambos, gato e parasita; bom para os primeiros porque os ratos viram refeição fácil, e para os segundos porque se alojam no intestino dos felinos — único local onde conseguem se reproduzir e continuar o ciclo de infecção.

A pesquisa da estudante Wendy Ingram revela que o efeito do parasita sobre o rato parece ser permanente. O comportamento destemido dos roedores ainda persiste por muito tempo depois que estes se recuperam dos sintomas da toxoplasmose, e por meses após a desinfecção completa o organismo.

Ingram diz que “[m]esmo quando o parasita é eliminado e não está mais nos cérebros dos animais, algum tipo de mudança comportamental de longo prazo ocorreu, apesar de não sabermos qual seria o verdadeiro mecanismo”. A estudante supõe que o parasita possa danificar a identificação de odores no cérebro, de forma que a urina dos gatos não mais seja detectada, o que faria com que o rato ficasse alerta. Pode ser, ainda, que o parasita modifique diretamente os neurônios envolvidos na memória e aprendizado, por exemplo.

Ratos livres de qualquer cisto ou infecção continuam sem medo do cheiro da urina dos felinos.

O interesse de Ingram no protozoário Toxoplasma gondii surgiu depois de ela ter lido sobre a alteração de comportamento que ele provoca nos ratos e sobre seus possíveis efeitos nos gatos e em seres humanos. Segundo o portal LiveScience, um terço das pessoas de todo o mundo possui o Toxoplasma alojado no organismo e provavelmente tem a forma cística do parasita dormente no cérebro. Tudo fica bem enquanto o sistema imunológico controla os cistos, porém, estes podem voltar à vida nos corpos de pessoas com deficiências imunológicas.

Os resultados da ação do protozoário sobre humanos podem ser catastróficos. Além de levar à morte, estudos preliminares sugerem que infecções crônicas podem estar ligadas à esquizofrenia e ao comportamento suicida. Recomenda-se que mulheres grávidas fiquem longe das fezes dos gatos, já que o parasita (que vive no intestino dos felinos) é transportado por meio destas e pode provocar o aborto ou cegueira nos fetos. Outro meio de propagação, alerta Ingram, é a carne de porco mal cozida.

Com a ajuda de Michael Eisen e Ellen Robey, professores de biologia celular e molecular da UC Berkeley, Ingram iniciou seus estudos sobre o modo como o a toxoplasmose age sobre o medo (ou a ausência dele) nos ratos. Um de seus experimentos consistiu em observar se os ratos evitavam a urina de felinos, o que é normal, ou a de coelhos, à qual os ratos não demonstram reação alguma.

Estudos anteriores haviam concluído que os ratos perdem o medo da urina dos felinos durante algumas semanas depois de infectados, mas Ingram mostrou que as três linhagens mais comuns do Toxoplasma gondii deixam os ratos menos temerosos dos gatos por, pelo menos, quatro meses.

Wendy Ingram: “O Toxoplasma realizou o trabalho fenomenal de desvendar os cérebros dos mamíferos a fim de aprimorar sua transmissão através de um complicado ciclo de vida”.

A pesquisadora utilizou uma estirpe geneticamente modificada de Toxoplasma que não é capaz de formar cistos e, portanto, de causar infecções crônicas no cérebro, e chegou à conclusão de que o efeito persistia por quatro meses depois que o ratos tinham sido desinfectados do parasita. Ela, agora, busca compreender como o sistema imunológico dos ratos ataca o parasita para descobrir se a resposta do hospedeiro à infecção é a culpada pelo comportamento estranho. Para Ingram, isto poderia refutar as hipóteses de que os efeitos comportamentais resultam da ação física direta dos parasitas sobre partes do cérebro.

“A ideia de que este parasita sabe mais sobre nossos cérebros do que nós e tem a habilidade de exercer as mudanças desejadas no comportamento complicado dos roedores é absolutamente fascinante”, disse Ingram.

Todas as fotografias desta postagem são creditadas a Wendy Ingram e Adrienne Greene.

Fonte: Phys.org

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This entry was posted on 20 de Setembro de 2013 by in Biologia, Medicina and tagged , , , , , , , , , .

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