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O “vulcão” no centro da Via Láctea

Cientistas estimam que uma enorme explosão tenha ocorrido no buraco negro no centro da nossa galáxia há 2 milhões de anos. Ilustração: Dana Berry, SkyWorks Digital/NASA

Cientistas estimam que uma enorme explosão tenha ocorrido no buraco negro no centro da nossa galáxia há 2 milhões de anos. Ilustração: Dana Berry, SkyWorks Digital/NASA

Não deve ser novidade para o(a) leitor(a) que bem no centro da nossa galáxia se encontra um buraco negro supermassivo (BNSM). Durante anos, os astrônomos vêm se perguntando o porquê de ele estar dormente hoje. A resposta pode ser tão simples quanto a de que ainda não flagramos o gigante — que pesa cerca de 4 milhões de vezes a massa do Sol — se alimentando, sugere novo estudo.

Philip Maloney, pesquisador da Universidade do Colorado em Boulder e co-autor do estudo, publicado no periódico Astrophysical Journal, pensa que “[s]e estivéssemos por aqui para vê-lo dois milhões de anos atrás, a situação seria muito diferente”.

“O buraco negro da Via Láctea era, talvez, dez milhões de vezes mais brilhante então”, diz Maloney, que emenda: “Não acho que alguém realmente tenha tido alguma expectativa de que o BNSM pudesse variar em luminosidade por um fator tão grande em uma escala de tempo — relativamente falando — tão curta”.

Os astrônomos suspeitam há muito tempo que tenha havido uma erupção no buraco negro, mas só agora acreditam ter achado um “registro fóssil” da última refeição feita por ele antes de hibernar. A equipe que conduziu o estudo aponta para um filamento de gás, composto principalmente por hidrogênio, chamado de Corrente de Magalhães (ou corrente magalhânica) que pode ser visto seguindo de perto as duas companheiras próximas da nossa galáxia: a Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães.

Maloney supõe que poderosos jatos de energia surgidos de uma erupção do buraco negro supermassivo há 2 milhões de anos atingiram a Corrente, fazendo com que o gás hidrogênio nesta se ionizasse e ficasse mais luminoso, em parte como o que ocorre durante os fenômenos das auroras aqui na terra. A própria ionização da Corrente de Magalhães já intrigava os cientistas desde a sua descoberta, duas décadas atrás, mas, como diz Maloney, “[n]inguém tinha sido previamente capaz de inventar um bom modelo para explicar a ionização”.

A equipe suspeita que o fulgor desses gases extragaláticos seja um registro fóssil da antiga erupção do BNSM, uma vez que a orientação e a quantidade de energia da explosão que foram estimadas, como também o período de resfriamento do gases iluminados, se encaixam bem no modelo proposto.

Mais evidências que suportam a possibilidade de uma enorme erupção ter ocorrido em um passado relativamente não muito distante vêm da assinatura espectral de raios gama e ondas de rádio recentemente detectadas em duas bolhas de gás que chamamos de Bolhas de Fermi (porque foram descobertas com dados do Telescópio Espacial Fermi). Acredita-se que as duas bolhas, situadas acima e abaixo do plano da Via Láctea, tenham sido expelidas pelo BNSM.

Os cientistas dizem que a ocorrência de uma nova erupção é apenas questão de tempo. Satélites de infravermelho e raios-X têm sido capazes de espiar o núcleo da nossa galáxia e de detectar radiação vazando da região que cerca o buraco negro enquanto este destrói as pequenas nuvens de gás que viajam na sua direção. As observações indicam que muitas nuvens de gás orbitam o BNSM e que elas podem provocar uma explosão em um futuro não muito distante.

Outro co-autor do estudo, Greg Magsen, astrônomo da Universidade de Cambridge, diz que os satélites “têm monitorado uma nuvem e preveem que ela cairá no buraco negro em algum ponto do próximo ano; no entanto, a quantidade de material será muito menor do que a do evento que iluminou a corrente”. Segundo Magsen, o fenômeno será fraco e não causará nenhum tipo de dano na Terra. Mesmo assim, diversos telescópios estarão apontados para ele.

Fonte: National Geographic

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This entry was posted on 25 de Setembro de 2013 by in Astronomia and tagged , , , , , .

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