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Genes predispõem certas pessoas a se concentrarem no “lado ruim” das coisas

Crédito: Tracy Whiteside, iStock / University of British Columbia

Crédito: Tracy Whiteside, iStock / University of British Columbia

Estudo de uma pesquisadora da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, revela que algumas pessoas estão geneticamente predispostas a apresentarem pensamentos pessimistas, focando o lado ruim das coisas. Publicada no periódico Psychological Science, a dissertação apresenta a conclusão de que a variante de um gene pode fazer com que indivíduos percebam determinados eventos emocionais — especialmente os negativos — mais vividamente.

Apesar de essa variação genética ser uma velha conhecida dos pesquisadores, o novo estudo foi o primeiro a demonstrar que ela pode afetar significativamente o modo como as pessoas veem e sentem o mundo, de acordo com a autora Rebecca Todd, do Departamento de Psicologia da UBC. A Prof.ª Todd salienta que seus achados sugerem uma percepção dos aspectos emocionais cotidianos parcialmente enviesada pelos genes, tendo as variações biológicas papel ativo nas diferenças individuais de percepção.

O gene em questão é o alelo ADRA2b, que influencia o hormônio e neurotransmissor norepinefrina (ou noradrenalina) que, por sua vez, age no processo de formação de memórias emocionais. O trabalho de Todd procurou mostrar que o mesmo alelo também atua no ambiente emocional em tempo real.

No estudo, foram apresentadas aos 200 participantes palavras de cunho positivo, negativo e neutro em rápida sucessão. Aqueles que eram portadores da variante ADRA2b estavam mais dispostos a perceber palavras negativas do que os demais, enquanto que ambos os grupos perceberam melhor as palavras positivas, em igual patamar, inclusive,  do que o fizeram com as palavras neutras.

A professora diz  (no vídeo acima, em inglês) que esses indivíduos “podem ser mais propensos a avistar feições de raiva em uma multidão”, por exemplo, ou “reparar em perigos potenciais — locais onde se pode escorregar, rochas frouxas que podem desabar — ao invés de ver a beleza natural”, quando estão ao ar livre.

As descobertas ressaltam as formas como a genética (combinada com outros fatores, como humor, educação e cultura) pode interferir, provocando diferenças individuais quanto à subjetividade humana e à percepção emocional, dizem os pesquisadores.

Pesquisas adicionais estão planejadas para abordar este fenômeno sob a perspectiva dos grupos étnicos. Enquanto mais da metade dos caucasianos, acredita-se, tem a variante genética ADRA2b, estatísticos sugerem que o alelo é significativamente menos presente em outras etnias. Por exemplo, um estudo recente descobriu que apenas 10% dos ruandeses possui a mutação.

Fonte: MedicalXpress

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This entry was posted on 10 de Outubro de 2013 by in Psicologia and tagged , , , , .

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