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Traduzindo: Religious organisations should learn what respect looks like in a secular society

Organizações religiosas deveriam saber com o que se parece o respeito em uma sociedade laica

Por Tauriq Moosa*

Zapiro

“O melhor cartunista satírico da África do Sul, Jonathan Shapiro (também conhecido como Zapiro), está em apuros por retratar o deus hindu Ganesh em uma charge. Como de costume, aqueles que adoram tal deus estão exigindo respeito às crenças religiosas (presumivelmente as crenças deles, não todas as crenças religiosas).

Considere apenas a expressão: a charge, de acordo com organizações hindus, demonstra “flagrante desrespeito e difamação da nossa gloriosa fé hinduísta”.

Como você pode ver aqui, são eles que consideram sua religião digna de respeito; são eles que a consideram “gloriosa”. A beleza de uma sociedade laica é a de que não só as pessoas religiosas de múltiplas fés podem ter suas fés, mas Zapiro e qualquer outra pessoa é bem-vinda a não ter nenhuma; não é exigido que nós, enquanto não-hindus (para não dizer descrentes) respeitemos o hinduísmo ou quaisquer religiões. Além disso, devemos sempre suspeitar daqueles que “exigem” respeito; como a adoração, o respeito não é algo que possa ser extraído dos seus oponentes.

Mais importante, conceitos não são fenômenos que podem — sem falar em serem dignos de — ser respeitados. Por definição, conceitos — como coisas feitas pelos humanos — estão aí para serem avaliados de diversos ângulos ou descartados, se for preciso, como quase qualquer coisa. Nós estamos certos por suspeitarmos daqueles que alegam possuir crenças ou ideias infalíveis, já que isto significa que o progresso não é necessário e a divergência é indesejável. Se uma ideia ou crença é tão perfeita, ela deveria ser capaz de resistir a todas as críticas e gozações atiradas contra ela. Querermos desculpas por retratarmos conceitos, de certa forma, é um indicativo de crenças vacilantes, não de algumas com as quais estamos confortáveis.

Considere: se alguém zomba da ideia da igualdade entre os sexos ou igualdade entre as raças, nós exigiríamos desculpas? Exigiríamos que o sexista “respeitasse nossa crença” de que as mulheres não merecem preconceito por causa de seu sexo? Exigiríamos que o racista “respeitasse nossa crença” de que as pessoas negras não são inferiores às outras raças? Presumivelmente, ou nós riríamos da base infantil e infundada da gozação do preconceituoso, ou faríamos pouco caso, sabendo que ela não tem fatos que a sustentem.

Esta é a coisa adulta a se fazer. Não precisamos mostrar nossa convicção ou nossa paixão pelo quanto acreditamos na igualdade entre os sexos ou raças silenciando aqueles que discordam; o que importa mais do que a paixão é que nossas ideias são justificadas, têm evidências, etc., o que não está alinhado com a paixão. Toda a paixão do mundo não muda os fatos sobre ele. Este caminhar pomposo da sensibilidade daqueles que têm tais crenças frágeis presta apenas aos crentes um desserviço, não aos opositores.

De fato, se Zapiro pedir desculpas, remover a charge e assim por diante, organizações hindus teriam menos — não mais — respeito por parte de nós, não-hindus. E aqui, o respeito está no seu devido lugar: nas próprias pessoas, não nas crenças.

Respeite-me o bastante para me dizer que minhas ideias são ruins, porque você se importa e quer que eu tenha o melhor tipo de ideias, visões e crenças. Parece paternalista pensar que as pessoas de fé não conseguem lidar com as críticas ou ser tratadas como adultas, contudo, as organizações que alegam falar em nome delas estão demonstrando justamente isso com tal exigência infantil de respeito. Estamos tratando deles como cidadãos adultos sujeitando suas ideias à gozação, sátira e crítica exatamente como eu gostaria que eles fizessem por mim. É com isto que se parece o respeito.”

Veja aqui a charge de Zapiro em seu contexto (em inglês).

Tauriq Moosa é tutor de ética, bioética e raciocínio crítico na Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul.

Fonte: Big Think

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This entry was posted on 29 de Outubro de 2013 by in Religião and tagged , , , , , , , , .

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