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2 em 1: Poluição na China; Vídeo revela detalhes microscópicos da mordida do carrapato

Nesta seção “2 em 1” nós iremos da escala maior à menor. Eu explico. Primeiro, visualizaremos a poluição a partir do ponto de vista privilegiado da órbita da Terra, com a ajuda do satélite Aqua, da NASA. A seguir, conheceremos a sutileza aterrorizante dos órgãos que permitem que os carrapatos fiquem agarrados às suas presas, alimentando-se do sangue delas por dias.

Smog paralisa Harbin, na China — visão do espaço

Imagem do satélite Aqua mostra a combinação entre névoa (fog) e fumaça na formação do smog sobre a região da cidade de Harbin (clique para ampliar). Foto: Jeff Schmaltz, LANCE MODIS Rapid Response, NASA

Imagem do satélite Aqua mostra a combinação entre névoa (fog) e fumaça na formação do smog sobre a região da cidade de Harbin (clique para ampliar). Foto: Jeff Schmaltz, LANCE MODIS Rapid Response, NASA

Na semana passada, autoridades interromperam a maior parte das atividades de Harbin, cidade localizada no nordeste da China em que vivem mais de 10 milhões de pessoas. O motivo: níveis de poluição estarrecedores cobriram a cidade e suas redondezas, fato que vem se tornando corriqueiro no país e ao qual os jornais do mundo todo se referem como “arpocalipse“.

Medições realizadas no dia 20 de outubro de 2013 demonstraram que o índice de qualidade do ar da cidade estava em 500, o maior nível possível. Níveis acima de 300 são considerados nocivos à saúde humana.

Um equipamento — Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer — a bordo do satélite Aqua, operado pela NASA, obteve esta imagem em cores naturais do nordeste da China em 21 de outubro. As áreas mais claras são de neblina, que adquire uma coloração amarelada ou cinzenta devido à poluição do ar. As demais áreas sem nuvens apresentam o fenômeno do smog, nas cores cinza e marrom, que se espalha por Harbin e por cidades vizinhas. Em linhas gerais, podemos definir o smog como a junção entre os poluentes emitidos por veículos de combustão interna e indústrias e o nevoeiro.

Em alguns bairros, verificaram-se concentrações de partículas inaláveis finas MP2,5 tão altas quanto 1.000 microgramas por metro cúbico. As partículas inaláveis finas “[p]odem ser definidas de maneira simplificada como aquelas cujo diâmetro aerodinâmico é menor que 2,5 µm. Devido ao seu tamanho diminuto, penetram profundamente no sistema respiratório, podendo  atingir os alvéolos pulmonares” informa o site da Cetesb, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.

Para fins de comparação, os padrões de qualidade do ar da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos regem que a concentração de partículas MP2,5 deve permanecer abaixo de 35 microgramas por metro cúbico.

As autoridades chinesas interromperam o tráfego aéreo e fecharam milhares de escolas e estradas em resposta ao surto de poluição. Alguns dias depois que os níveis de poluição começaram a subir, os hospitais de Harbin registraram um aumento de 30 por cento na procura por atendimento médico relativa a problemas respiratórios, e as farmácias da cidade venderam todo seu estoque de máscaras respiratórias, de acordo com a imprensa.

O tempo frio e a falta de vento ajudaram a impedir a dissipação dos poluentes, em paralelo à atividade humana. Agricultores de trigo e milho da região fizeram queimadas no outono para destruir resíduos da produção agrícola logo após a colheita. Além disso, o sistema de calefação (aquecimento) de Harbin à base de carvão foi ligado um pouco antes do surto de poluição, segundo a agência estatal de notícias Xinhua.

Fonte: NASA’s Earth Observatory

A mordida do carrapato em ação!

Órgãos presentes na boca do carrapato, cuja função é a de prendê-lo firmemente à vítima, permitindo a alimentação a partir do sangue desta última. Foto: Dania Richter

Órgãos presentes na boca do carrapato, cuja função é a de prendê-lo firmemente à vítima, permitindo a alimentação a partir do sangue desta última. Foto: Dania Richter

Toda a ação de um carrapato sugando o sangue de sua vítima foi capturada em um vídeo, descrito por pesquisadores no periódico Proceedings of the Royal Society B. O vídeo revelou o método horripilante através do qual estes aracnídeos se prendem à pele e nela inserem seu aparato sugador.

Ao contrário dos mosquitos, os carrapatos passam de alguns dias a uma semana se enchendo com o sangue da vítima até que estejam maduros o bastante para depositar seus ovos ou entrar na fase seguinte do seu ciclo de vida. “Mosquitos e outras moscas que picam permanecem no hospedeiro por um tempo muito curto”, diz a co-autora do estudo Dania Richter, parasitologista do Charité – Universitätsmedizin Berlin. “O carrapato tem um desafio muito diferente, que é ficar lá para valer”.

Para ficarem agarrados à presa, os carrapatos inserem substâncias analgésicas, anti-coagulantes e anti-inflamatórias no local da picada, bem como se ancoram firmemente no corpo de modo a não causar muita dor. Pouco se sabia, até agora, sobre o modo como o Ixodes ricinus, espécie de carrapato comum às zonas temperadas da Europa, permanecia em seu lugar, e muitos cientistas argumentaram que os animais utilizavam um movimento de serra ou furadeira para penetrarem a pele.

Richter e seus colegas examinaram a questão de perto. Muito perto.

A equipe gravou o vídeo abaixo do I. ricinus enquanto perfurava as orelhas de um rato que passou por eutanásia. Também foram feitas imagens detalhadas das partes da boca dos parasitas com o auxílio de um microscópio eletrônico confocal de varredura, no qual o objeto de estudo é iluminado por um feixe de elétrons focalizado.

Partindo do vídeo e das imagens obtidas, a equipe deduziu que o carrapato toca a pele e a perfura utilizando as quelíceras — um par de lanças armadas de lascas semelhantes a anzóis. Estas lascas podem se dobrar nas articulações. Então, como braços que se sobram nos cotovelos, as lascas se dobram para trás em um movimento que lembra o do nado de peito. Este movimento prepara a pele para a segunda parte: uma estrutura, parecida com um arpão, chamada de hipostômio, é inserida. Quando todos — hipostômio e quelíceras — estão inseridos, o carrapato se alimenta.

A aderência do aracnídeo à pele é tamanha que fica difícil removê-lo, e o hipostômio frequentemente se quebra e fica na pele no processo (sem, no entanto, causar danos). Por isso, os cientistas ainda não sabem exatamente como os carrapatos largam voluntariamente a presa quando terminam a alimentação, diz Richter.

Fonte: LiveScience

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