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Fóssil de ornitorrinco gigante descoberto na Austrália

Um ornitorrinco gigante, que viveu na era Cenozoica, tinha dentes poderosos (imagem menor: uma reconstrução do primeiro molar inferior) que o permitiriam predar animais como peixes e pequenas tartarugas. Crédito: Peter Schouten

Um ornitorrinco gigante, que viveu na era Cenozoica, tinha dentes poderosos (imagem menor: uma reconstrução do primeiro molar inferior) que o permitiriam predar animais como peixes e pequenas tartarugas. Crédito: Peter Schouten

Já sabíamos que o ornitorrinco é um animal curioso: um mamífero que bota ovos, tem (focinho em forma de) bico, é venenoso e… gigante?… É o que sugere o estudo de um registro fóssil, conduzido por pesquisadores na Austrália.

A espécie de ornitorrinco recém-descoberta mede cerca de um metro de comprimento — muito maior, portanto, do que o ornitorrinco moderno com seus 38 centímetros de comprimento — e foi denominada Obdurodon tharalkooschild. Suspeita-se que o animal tenha habitado as florestas australianas de 5 a 15 milhões de anos atrás, porém, uma idade mais precisa deverá ser definida através de outras análises.

Pesquisadores foram capazes de detalhar a criatura com base em um único dente encontrado, há alguns anos, em meio ao calcário coletado no sítio arqueológico de Riversleigh, no estado de Queensland (nordeste do país). O dente em questão estava guardado e esquecido em um armário, até que a líder do estudo, Rebecca Pian, o encontrou em 2012, quando estudava na Universidade de New South Wales.

Quando o dente, maior do que o normal, passou pelo exame atento de Pian e do co-autor do estudo, Mike Archer, deduziu-se que ele também era diferente dos dentes de ornitorrincos já conhecidos. Por exemplo, o formato ímpar do dente remetia apenas aos ornitorrincos, mas o modelo das serras presente nele nunca tinha sido visto em outros animais do grupo. Então, para determinar o tamanho do animal ao qual pertencia o dente, Pian e colegas compararam-no a outros dentes de ornitorrincos. A conclusão: tratava-se do maior ornitorrinco já descoberto, o que mexia com o que conhecemos da evolução do grupo.

Preenchendo as lacunas

O ornitorrinco extinto encontrado pertence a um minúsculo grupo de mamíferos que põem ovos, conhecidos como monotremados, dos quais restaram apenas três espécies: o ornitorrinco e duas espécies de équidna, todos vivendo na Austrália e Nova Guiné.

Apenas quatro espécies extintas de ornitorrincos foram descobertas, cada uma em um período diferente, o que levou os cientistas a acreditar, ou na existência de grandes lacunas fósseis, ou que a árvore filogenética (árvore genealógica que detalha as relações evolutivas entre os seres) dos ornitorrincos não é tão diversificada. O problema na obtenção de registros fósseis é que, na maior parte das vezes, só os dentes, com seu esmalte endurecido, sobrevivem à ação do tempo.

Os pesquisadores acreditam que o molar acima tenha vindo da mandíbula do ornitorrinco extinto. Foto: Rebecca Pian

O achado do estudo de Pian indica que “a evolução do ornitorrinco é potencialmente mais complicada do que pensávamos”, nas palavras da pesquisadora, cujo estudo figura no periódico Journal of Vertebrate Paleontology. A complicação se deve ao fato de o dente maior e, possivelmente, mais “carnívoro” do O. tharalkooschild sugerir uma dieta bastante diferente daquela dos outros ornitorrincos, que se alimentam primordialmente de pequenos invertebrados.

A estrutura do dente da nova espécie aponta para a possibilidade de que ela tenha se alimentado também de presas maiores, como peixes, anfíbios e pequenas tartarugas, relata a equipe, e a própria dieta pode ser a razão do tamanho exacerbado do ornitorrinco descoberto.

Outro motivo pelo qual o dente maior surpreendeu os cientistas, foi o de que os registros fósseis mais antigos sugeriram que este grupo de animais desenvolveu dentes menores com o passar do tempo evolutivo, chegando ao ponto de apresentar dentes apenas na infância, perdendo-os na idade adulta, tal como os ornitorrincos modernos. É possível que o novo fóssil pertença a uma divisão extinta da linhagem principal dos ornitorrincos.

Timothy Rowe, diretor do Laboratório de Paleontologia de Vertebrados da Universidade do Texas, diz que a pesquisa parece “sólida” e que, se ele tivesse encontrado o dente, também o classificaria em uma nova espécie. Rowe, que não participou do estudo, afirma que os dentes de ornitorrinco são “excessivamente únicos”, que está claro que o novo dente pertence a uma destas criaturas.

O paleontólogo conclui que a descoberta reforça nosso desconhecimento em relação à evolução das équidnas e ornitorrincos, mas “estamos começando a preencher as lacunas, o que é sempre algo feliz”.

Fontes: National Geographic, LiveScience

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This entry was posted on 5 de Novembro de 2013 by in Biologia and tagged , , , , , , , , , .

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