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Cilindros de gelo da Antártida podem nos contar 1,5 milhão de anos de história climática

O Programa Antártico dos Estados Unidos (U.S. Antarctic Program — USAP) escavou seu maior cilindro de gelo de regiões polares, medindo oficialmente 3,331 metros. Foto: U.S. Antarctic Program/ Kendrick Taylor

O Programa Antártico dos Estados Unidos (U.S. Antarctic Program — USAP) escavou seu maior cilindro de gelo de regiões polares até o momento, medindo oficialmente 3,331 metros.
Foto: U.S. Antarctic Program/ Kendrick Taylor

Regiões da Antártida podem conter gelo acumulado há 1,5 milhão de anos, que revelaria elementos da história climática da Terra, de acordo com uma nova pesquisa. As possíveis localizações do gelo estão contidas em artigo publicado no periódico Climate of the Past, e uma delas pode permitir aos cientistas extrair cilindros de gelo de quilômetros de extensão, a fim de que seja possível explicar a mudança de rumos que o clima sofreu há cerca de 1 milhão de anos.

Cilindros como o mencionado acima podem fornecer pistas do clima do passado, inclusive da composição do ar e da temperatura da época, uma vez que eles “contêm pequenas bolhas de ar e, portanto, representam o único arquivo direto da composição da atmosfera do passado”, comunicou o autor do estudo, Hubertus Fischer, físico climático da Universidade de Berna, na Suíça.

Há cerca de uma década, uma equipe de pesquisadores extraiu um cilindro de gelo antártico de 3.2km de comprimento que, por sua vez, revelou 800 mil anos de história do clima. Constatou-se que as concentrações de gases de efeito estufa (dióxido de carbono, por exemplo) na atmosfera tendiam a aumentar pari passu à temperatura. Porém, os cientistas gostariam de voltar mais no tempo para estudar um período conhecido como a Transição do Pleistoceno Médio, ocorrida entre 900 mil e 1.2 milhão de anos atrás.

Alterações na órbita terrestre fazem com que o planeta naturalmente passe por períodos mais quentes ou frios. Antes da transição do Pleistoceno Médio, estes ciclos climáticos mudavam a cada 41 mil anos; posteriormente, passaram a se alternar a cada 100 mil anos, fato que ainda requer explicação. Muitos especialistas propuseram que uma mudança nos níveis de gases estufa na atmosfera provocaram a transição, mas confirmar a hipótese requer registros climáticos do período.

No entanto, nem sempre é fácil encontrar as pistas da atmosfera passada, mesmo no registro congelado — e soterrado — da Antártida, praticamente inalterado pela erosão. Conforme a neve cai por sobre o continente, ela se compacta e forma gelo glacial. O peso da placa de gelo faz com que as camadas mais antigas abaixo se espalhem, tornando-se mais finas. Obviamente, o gelo mais antigo se situa próximo ao leito rochoso.

Portanto, em teoria, placas mais de gelo mais altas poderiam criptografar um histórico climático mais antigo, porque possuem mais camadas de gelo alongando-se no tempo. No entanto, encontrar tais placas altas não é o bastante, pois quando a placa se torna muito comprida, a energia geotérmica derrete as camadas mais antigas do gelo. Além disso, movimentações do leito rochoso podem misturar o gelo mais próximo do fundo.

Em azul, as regiões nas quais pode estar escondido o gelo de 1,5 milhão de anos. Crédito: Van Liefferinge e Pattyn

Assim sendo, os pesquisadores aplicaram dados do clima e das condições do gelo em um modelo, no qual constavam também o calor e o fluxo de gelo no continente, para identificar o gelo antigo com maior probabilidade de apresentar bons cilindros. Os melhores locais para encontrar este gelo se concentram perto do fundo da Antártida Oriental, nos Domos F, A e C (veja no mapa acima) — pontos onde a placa de gelo é mais alta —, e perto do Pólo Sul. Cabe aos cientistas, agora, estudar a espessura e temperatura do gelo no fundo das placas destas regiões para que se inicie o trabalho de escavação.

Fonte: LiveScience

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This entry was posted on 6 de Novembro de 2013 by in Meio ambiente and tagged , , , , , , .

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