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Publicados os primeiros resultados de estudo do meteoro de Chelyabinsk, que caiu na Rússia

Meteorito de Chelyabinsk, cujo diâmetro chega a aproximados 4 cm, e os seus veios de choque. Imagem: Science/AAAS

Meteorito de Chelyabinsk, cujo diâmetro chega a aproximados 4 cm, e os seus veios de choque. Imagem: Science/AAAS

O meteoro que explodiu sobre Chelyabinsk, Rússia, em fevereiro de 2013, foi “um alerta”, de acordo com um cientista da Universidade da Califórnia em Davis que participou das análises do evento. O trabalho foi publicado em 7 de novembro de 2013, no periódico Science, por uma equipe internacional de pesquisadores.

“Se a humanidade não quiser seguir o caminho dos dinossauros, precisamos estudar um evento como este em detalhes”, disse Qing-Zhu Yin, professor do Departamento de Ciências da Terra e Planetologia da UC Davis.

Chelyabinsk foi o maior impacto de meteoroide desde o evento de Tunguska, em 1908, e graças à tecnologia moderna, das câmeras de vídeo à venda, às avançadas técnicas de laboratório, temos uma oportunidade sem precedentes para o estudo de tal evento, observam os autores.

O meteoroide de Chelyabinsk pertence ao tipo mais comum de meteorito, “um condrito ordinário”. Se um impacto catastrófico de meteorito ocorrer no futuro, muito provavelmente envolverá um objeto deste tipo, disse Yin.  (Um meteoroide é o objeto original; um meteoro é a “estrela cadente” no céu; e um meteorito é o objeto que atinge o solo.)

A equipe foi liderada por Olga Popova, da Academia de Ciências da Rússia, em Moscou, e pelo astrônomo Peter Jenniskens, do Instituto SETI e do Ames, ambos centros de pesquisa da NASA, e incluiu 57 outros pesquisadores de nove países.

“Nosso objetivo era entender todas as circunstâncias que resultaram na onda de choque prejudicial que mandou mais de 1.200 pessoas aos hospitais na área de Chelyabinsk Oblast naquele dia”, disse Jenniskens. A explosão foi equivalente a cerca de 600 toneladas de TNT, 150 vezes maior do que o meteorito de Sutter’s Mill, na Califórnia, em 2012.

Baseando-se nos ângulos de visão dos vídeos da bola de fogo, a equipe calculou que o meteoroide entrou na atmosfera da Terra a pouco mais de 19 quilômetros por segundo. “Nosso modelo de entrada do meteoroide mostrou que o impacto foi causado por um único bloco de rocha de 20 metros de extensão, que se fragmentou eficientemente a 30 km de altitude”, disse Popova.

O brilho do meteoro atingiu seu ponto máximo a uma altitude de 29,7 km (18,5 milhas), quando o objeto explodiu. Para observadores próximos, ele pareceu brevemente mais brilhante que o Sol e provocou algumas queimaduras graves.

A equipe estimou que cerca de três quartos do meteoroide evaporaram naquele ponto. A maior parte do restante se converteu em poeira, e apenas uma pequena fração (de 4 a 6 mil quilogramas, ou menos de 0,05 por cento) caiu no solo sob a forma de meteoritos. A nuvem de poeira era tão quente que irradiava um brilho alaranjado. A peça maior, pesando cerca de 650 quilogramas, foi recuperada do leito do Lago Chebarkul, em outubro, por uma equipe da Universidade Federal dos Urais liderada pelo Professor Viktor Grokhovsky.

Ondas de choque da explosão quebraram janelas, sacudiram prédios e chegaram a tirar pessoas do chão. Popova e Jenniskens visitaram mais de 50 vilas da região e descobriram que a onda de choque causou danos a 90 quilômetros (50 milhas) de distância do ponto exato do estouro.

Grãos de ferro dentro das bordas de um veio de choque do meteorito. Estes veios são seções frágeis ao longo das quais os meteoritos podem se fragmentar. Crédito: M. Zolensky/NASA JSC

O objeto se quebrou 30 km acima da terra, sob a enorme pressão de entrar na atmosfera a uma velocidade elevada. A quebra provavelmente tenha sido facilitada por “veios de choque” (em detalhes na imagem acima) que atravessam a rocha, causados por um impacto que ocorreu há centenas de milhões de anos. Estes veios teriam enfraquecido o meteoroide original.

O laboratório de Yin na UC Davis conduziu análises químicas e isotópicas dos meteoritos. O Professor Ken Verosub, também do Departamento de Ciências da Terra e Planetologia, quantificou as propriedades magnéticas de grãos metálicos do meteorito. Doug Rowland, cientista do Center for Molecular and Genomic Imaging, do Departamento de Engenharia Biomédica da UC Davis, contribuiu com tomografias computadorizadas da rocha.

Juntas, estas medições confirmaram que o objeto de Chelyabinsk era um condrito ordinário, com 4,452 bilhões de anos de idade, e que ele se envolveu em um choque significativo pela última vez cerca de 115 milhões de anos depois da formação do sistema solar, por sua vez, ocorrida 4,567 milhões de anos atrás. O impacto foi muito mais tardio do que os de quaisquer outros condritos do mesmo tipo conhecidos, disse Yin, o que sugere um histórico violento.

Jenniskens calculou que o objeto pode ter vindo da família Flora de asteroides, no cinturão de asteroides, mas o bloco que atingiu a área de Chelyabinsk não parecia ter se quebrado no próprio cinturão. Pesquisadores da Universidade de Tóquio e da Universidade Waseda, no Japão, descobriram que a rocha havia sido exposta a raios cósmicos por cerca de apenas 1,2 milhão de anos, excepcionalmente pouco para rochas originárias da família Flora.

Desta forma, Jenniskens especula que o (meteorito de) Chelyabinsk pertencia a um asteroide que se repartiu há 1,2 milhão de anos, possivelmente em uma passagem pelas cercanias da Terra e que, portanto, o resto do asteroide pode ainda viajar como parte da população de objetos próximos do nosso planeta.

Bloco de rocha recuperado no Lago Chebarkul, hoje exposto no Museu Estadual de História Local de Chelyabinsk. Foto: Andrey Yarantsev

Yin observou que os principais impactos de meteoritos, como os de Tungaska ou Chelyabinsk, ocorrem mais frequentemente do que tendemos a imaginar. Por exemplo, quatro toneladas de material foram recolhidas de uma chuva de meteoros em Jilin, China, em 1976.

“Chelyabinsk serve como um ponto de calibragem ímpar para eventos de impacto de meteoritos de alta energia nos nossos estudos futuros”, diz ele. A tecnologia para a detecção preventiva desses objetos é necessária, disse Yin — tal como o Grande Telescópio para Rastreamento Sinóptico, sendo atualmente desenvolvimento por uma equipe internacional encabeçada por J. Anthony Tyson, professor de física da UC Davis.

Fonte: Phys.org

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