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Sistema imunológico dos bebês facilita a entrada de bactérias boas

Foto: Sean Oriordan /Getty Images

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Sabemos que as crianças são muito suscetíveis a infecções bacterianas. Agora, um estudo sugere que esta vulnerabilidade é deliberadamente criada pelo corpo para permitir que micróbios benéficos colonizem o intestino, a pele, a boca e os pulmões do bebê.

Enquanto se encontra no útero, um feto não é infiltrado pelos micro-organismos. Todavia, a partir do momento em que um bebê deixa a barriga da mãe, bactérias e fungos dão início à colonização. O modo como o sistema imunológico lida com esta afluência de invasores permanece envolto em mistério.

Sing Sing Way, pediatra especialista em doenças infecciosas do Hospital Infantil de Cincinnati, no estado norte-americano de Ohio, e seus colegas decidiram investigar as primeiras relações entre o bebê e os micróbios comparando as células do sistema imune encontradas em ratos com seis dias de idade e as observadas em ratos adultos.

Verificou-se que os ratos bebês possuíam uma proporção muito maior de glóbulos vermelhos — hemácias, ou ainda eritrócitos — no sangue exprimindo uma proteína chamada CD71. Os pesquisadores descobriram que tais células reprimiam a resposta imunológica através da produção de uma enzima chamada arginase.

A equipe de Way deu aos ratos bebês anticorpos que faziam com que o sistema imunológico agisse e destruísse as células CD71+, eliminando-as do sangue. Quando estes ratos foram infectados com a bactéria Listeria monocytogenes, que pode causar infecções graves em humanos recém-nascidos, seus sistemas imunológicos combateram eficientemente o ataque. Porém, havia uma consequência: sem as células CD71+, as células intestinais dos ratos inflamavam no contato com bactérias intestinais comuns.

O pediatra do Hospital Infantil de Boston, Massachusetts, Ofer Levy, diz que a principal lógica por trás da repressão inicial da imunidade pode ser a redução da inflamação no encontro com as bactérias comuns. “Se não houvesse mecanismos para abrandar a inflamação, o recém-nascido estaria condenado”, afirma Levy. O trabalho de Way e colegas, publicado na revista Nature, indica que o sangue de um cordão umbilical humano também contém uma concentração mais alta de células CD71+ se comparado ao sangue adulto.

“É muito convincente”, diz Levy sobre o estudo, apesar de o pediatra atentar para o fato de que mais evidências precisam ser coletadas em humanos antes que as descobertas possam ter utilidade médica. Além disso, o ecossistema microbiano se entrelaça com o sistema imunológico e, portanto, pode ser difícil modificar um deles sem que isto afete o outro.

No momento, a equipe liderada por Way procura por maneiras de ajustar esta inter-relação, de modo a aprimorar o tratamento de doenças que acometem os recém-nascidos. Por exemplo, bebês que nascem prematuros podem sofrer de uma condição chamada de enterocolite necrosante, na qual seus intestinos se rompem. Um fator que poderia conduzir à doença seria a ausência das bactérias que permitiriam aos bebês digerir o alimento. Way supõe que estes bebês prematuros podem não ter células CD71+ ativas, e que, de alguma forma, introduzir neles este tipo de célula, ou induzir a ativação delas no corpo com o uso de uma droga, possa reprimir o sistema imune durante um tempo suficiente para que as bactérias benéficas colonizem os intestinos.

Way acrescenta que os bebês não são normalmente vacinados até alguns meses depois de nascerem, porque seus sistemas imunológicos são bastante frágeis. Mas nos países em desenvolvimento, as crianças geralmente recebem cuidados médicos apenas imediatamente após o parto, e muitas jamais são vacinadas. Encontrar uma forma de fortalecer o sistema imunológico temporariamente reduzindo o número de células CD71+, por exemplo, pode permitir que os agentes de saúde vacinem as crianças imediatamente.

Fonte: Nature

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This entry was posted on 8 de Novembro de 2013 by in Medicina and tagged , , , , , , .

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