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Bactérias criam “redes sociais” das hienas

Hiena-malhada na Reserva Nacional de Masaai Mara, no Quênia. Foto: Frans Lanting, Corbis

Hiena-malhada na Reserva Nacional de Masaai Mara, no Quênia. Foto: Frans Lanting, Corbis

Pesquisadores concluem que bactérias em fermentação nas glândulas odoríferas têm um papel de suma importância na produção dos compostos químicos malcheirosos que as hienas-malhadas e as hienas-riscadas utilizam na comunicação. Assim, as bactérias ajudam a fomentar as vidas sociais dos animais.

A nova descoberta é a evidência mais forte já encontrada para a “hipótese da fermentação“, dizem os cientistas. A hipótese em questão postula que alguns dos principais componentes químicos que os mamíferos usam para comunicar seu sexo, idade, estado reprodutivo, entre outros traços — uma verdadeira “rede social” —, são produtos da fermentação de bactérias habitando suas glândulas odoríferas em simbiose. Ainda, de acordo com a teoria, os odores utilizados por grupos sociais distintos, e por indivíduos distintos dentro de uma espécie, dependem das diferenças nas colônias bacterianas que neles vivem.

“A maioria dos mamíferos tem glândulas odoríferas em algum lugar no seu corpo — pode ser na cabeça, ombro, pés, flancos, ou costas”, diz Kevin Theis, o co-autor do estudo e estudante de pós-doutorado da Michigan State University.

Theis acrescenta que as hienas “usam o odor para demarcar e defender seus territórios”. Os animais (especialmente as fêmeas) também utilizam o odor nas interações sociais e na consolidação da coesão do grupo; por outro lado, os “[m]achos parecem usá-lo para manter suas hierarquias de dominância sem ter que recorrer à agressão”.

No novo estudo, publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, Theis e seus colegas lançaram mão de técnicas de sequenciamento de DNA para analisar a massa pastosa, que cheira a azedo, secretada pelas hienas na grama a partir de bolsas de odor localizadas entre o ânus e a cauda. O pesquisador explica que, quando produzem a pasta, as hienas arrastam suas bolsas de odor pela grama.

Os resultados do estudo confirmaram que bactérias fermentadoras vivem nas bolsas de odor dos animais, e que a composição das colônias bacterianas, bem como os cheiros produzidos, eram diferentes entre as hienas-malhadas e as hienas-riscadas. Os especialistas também descobriram que os perfis genéticos das bactérias no corpo de uma hiena se alteram de acordo com a idade, o sexo, e o estado reprodutivo do animal.

Enquanto estudava populações de hienas selvagens, Theis reparou que os animais geralmente expelem a pasta nos mesmos locais. Segundo ele, um animal chega a grudar sua pasta logo em cima da pasta de outra hiena.

O pesquisador especula que as hienas apresentem tal comportamento para “infectarem” umas às outras com suas bactérias, como forma de criar e difundir um odor característico do grupo. Compartilhar um odor comum não só ajuda as hienas no reconhecimento dos membros dos seus próprios grupos, mas ainda permite a membros distintos marcarem seus territórios com o mesmo cheiro, tornando o processo mais eficiente.

Já os filhotes podem se aproveitar do odor deixado pelos adultos na grama, tomando aquelas bactérias para si, a fim de produzirem sua própria pasta conservando a característica do grupo, diz Theis.

Fonte: National Geographic

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This entry was posted on 12 de Novembro de 2013 by in Biologia and tagged , , , , , .

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