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Gato antigo pode remodelar a árvore genealógica dos felinos

Uma espécie antiga de felino, descoberta a partir de fósseis (crânio, na imagem menor) do maior gato já escavados, era similar ao leopardo-das-neves (foto maior), e pode preencher uma lacuna na árvore familiar dos felinos. Imagens: Wikimedia Commons /Irbis1983 (maior); Z. Tseng et al., Proc. Royal Soc. B (menor)

Uma espécie antiga de felino, descoberta a partir de fósseis (crânio, na imagem menor) do maior gato já escavados, era similar ao leopardo-das-neves (foto maior), e pode preencher uma lacuna na árvore familiar dos felinos. Imagens: Wikimedia Commons /Irbis1983 (maior); Z. Tseng et al., Proc. Royal Soc. B (menor)

Os primeiros grandes felinos podem ter surgido milhões de anos antes do que imaginavam os biólogos. Esta é a conclusão que pesquisadores tiraram da descoberta de uma nova espécie de felino, similar ao moderno leopardo-das-neves, que viveu na região do Himalaia, na Ásia. Apesar de a criatura não ter descendentes vivos, ela pode fazer com que os cientistas reconsiderem a árvore genealógica dos gatos.

Boa parte do nosso conhecimento a respeito das origens dos gatos antigos vem do DNA dos vivos. Em um estudo de 2006, pesquisadores esboçaram a história evolucionária dos panterinos (animais pertencentes à sub-família de felídeos Pantherinae), linhagem que inclui os modernos tigres, leões, leopardos e jaguares.

Os especialistas usaram a sobreposição entre sequências de DNA de espécies modernas para regressar à época em que diversas linhagens de felinos provavelmente teriam divergido. De acordo com este quadro. o primeiro panterino evoluiu de um ancestral desconhecido, que provavelmente vivia na Ásia Central, entre 10 e 11 milhões de anos atrás. Pesquisas posteriores sugeriram que a estirpe dos grandes gatos não passou a se dividir em outras espécies — ancestrais dos tigres modernos, por exemplo — até cerca de 2 milhões de anos atrás.

Porém, os paleontólogos têm sido relutantes a aceitar este quadro baseado no DNA, diz Julie Meachen, paleontóloga de vertebrados e especialista em carnívoros da Des Moines University. “Queremos ver o fóssil, na realidade”, diz ela. Até agora, os fósseis mais antigos de panterinos eram dentes e uma mandíbula de 3,8 milhões de anos, encontrados na África Oriental, não na Ásia.

Durante 8 anos, o paleontólogo de vertebrados Zhijie Jack Tseng, do Museu Americano de História Natural em Nova York, fez parte de uma equipe que procurou por fósseis no frio e seco Planalto Tibetano. Em 2010, o grupo descobriu uma localidade rica em fósseis — 120 fragmentos, de mais de uma dúzia de espécies de mamíferos, comprimidos em um metro quadrado de solo.

Em meio aos membros de extintos antílopes, cavalos e rinocerontes, os cientistas se depararam com alguns fragmentos raros: um crânio, algumas mandíbulas e dentes, que pareciam pertencer a uma espécie de felino. Com base na geografia da região, suspeitou-se que se tratava de um leopardo-das-neves exclusivamente adaptado ao frio. Logo descobriram que os fragmentos vinham de, ao menos, três indivíduos de uma espécie jamais vista até então, datando de 4 a 6 milhões de anos atrás — mais antiga do que a descoberta realizada na África.

Em um ensaio publicado no periódico  Proceedings of the Royal Society B, Tseng e seus pares apresentaram a Panthera blytheae. Acredita-se que o animal seja uma espécie irmã do leopardo-das-neves, e que seja pequeno em relação aos leões e tigres modernos. Pesando cerca de 20 quilogramas, a P. blytheae era aproximadamente 10% menor do que o leopardo mencionado. Ainda, a nova espécie aparenta compartilhar algumas características com carnívoros que habitam regiões frias, como a testa larga, possível sinal de uma cavidade nasal expandida, cujo propósito seria o de aquecer o ar gelado do Himalaia a cada inspiração.

Os achados do Himalaia são “uma agradável surpresa”, diz Andrew Kitchener, mastozoólogo (especialista em mamíferos) do Museu Nacional da Escócia em Edimburgo, cuja equipe descobriu um membro primitivo da linhagem dos tigres na China, em 2011. Kitchener afirma que o estudo de Tseng “[n]os deu uma nova parte do mundo para procurarmos pela evolução da linhagem dos grandes felinos”.

Tseng e seus colegas construíram uma nova árvore evolucionária combinando características físicas dos ossos da P. blytheae, atributos de outros fósseis, e os dados de DNA de espécies vivas. A análise retrocede o surgimento dos grandes gatos a aproximadamente 16,4 milhões de anos atrás, número que possui uma grande margem de erro, adverte Tseng. O pesquisador diz que, há 6 milhões de anos (época na qual os grandes felinos ainda não haviam se diversificado, segundo pesquisas anteriores), pelo menos três estirpes distintas podem ter vagado pela Ásia: uma contendo a P. blytheae e o leopardo-das-neves; uma segunda, contendo o leopardo-nebuloso; e outra, que levou ao tigre moderno. (Os ancestrais dos jaguares e leões provavelmente surgiram mais tarde.)

O grupo sugere que, quando o movimento das placas tectônicas forçou a ascensão do Himalaia, muitos mamíferos — inclusive, de acordo com a nova árvore, os panterinos emergentes — se diversificaram no ambiente nevado. Algumas espécies, então, se propagaram pelo continente durante a era do gelo do Pleistoceno.

O estudo apoia a ideia de que os primeiros grandes felinos se propagaram a partir da Ásia Central, diz William Murphy, geneticista molecular da Texas A&M University e um dos autores da pesquisa de 2006. Entretanto, ele toma postura cética quanto à alegação de que a P. blytheae seria uma espécie irmã do leopardo-das-neves. Tendo apenas algumas partes do esqueleto, o grupo determinou esta relação usando um número limitado de características de dentes, mandíbula e crânio, o que pode não ser confiável, na visão de Murphy.

Fonte: Science

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This entry was posted on 13 de Novembro de 2013 by in Biologia and tagged , , , , , , , , , , .

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