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Apenas 2 genes do cromossomo Y são necessários para a reprodução masculina

Imagem demonstrando o procedimento de injeção de espermátide redonda (Round Spermatid Injection - Rosi) de um rato macho realizado pelo pesquisador  Yasuhiro Yamauchi. O mesmo método foi empregado no estudo do cromossomo Y de Monika Ward. Crédito: Science

Imagem demonstrando o procedimento de injeção de espermátide redonda (Round Spermatid Injection – ROSI) de um rato macho realizado pelo pesquisador Yasuhiro Yamauchi. O mesmo método foi empregado no estudo do cromossomo Y de Monika Ward. Crédito: Science

O cromossomo Y costuma ser visto como o definidor do sexo masculino. Agora, cientistas descobriram que apenas dois genes do cromossomo em questão são necessários para que ratos procriem. Os achados podem levar a caminhos para ajudar homens que, de outra maneira, seriam inférteis, a terem filhos, segundo os pesquisadores. Homens portadores de uma condição chamada azoospermia não conseguem produzir espermatozoides saudáveis e, portanto, poderiam se beneficiar  de tratamentos baseados nas descobertas.

No estudo, pesquisadores injetaram dois genes do cromossomo Y em embriões de ratos que não possuíam um cromossomo Y. Descobriu-se que os embriões se tornavam ratos adultos capazes de procriar, não através dos “métodos convencionais” da reunião com uma fêmea, mas com o auxílio de técnicas de reprodução assistida.

“Apenas dois genes do cromossomo Y são necessário para ter filhos com a ajuda da reprodução assistida”, disse Monika Ward — autora do estudo e bióloga reprodutiva da Universidade do Havaí em Honolulu — ao portal LiveScience. As descobertas foram detalhadas ontem (21 de novembro) no periódico Science.

Pesquisas prévias haviam demonstrado que, quando um gene chamado Sry era inserido em embriões de ratos que são geneticamente fêmeas, “ele mudava o destino dos ratos”, disse Ward. “Mesmo que eles tivessem dois cromossomos X, desenvolviam-se machos”. Estes ratos desenvolviam testículos e produziam células precursoras dos espermatozoides, conhecidas como espermatogônia; no entanto, estas células são se transformavam em espermatozoides.

No novo estudo, os cientistas adicionaram outros genes do cromossomo Y, um por um, em ratos na condição mencionada acima. O processo de tentativa e erro acabou por revelar que um gene chamado Eif2s3y ocasionalmente ajudava a espermatogônia a se desenvolver em espermátides, ou esperma imaturo.

Espermátides são células redondas que não contêm os flagelos (caudas) que o esperma maduro utiliza para nadar, a fim de que possa fertilizar óvulos. Isto significa que, apesar de os ratos com os genes Sry e Eif2s3y serem machos e gerarem células sexuais, eles não conseguem se reproduzir normalmente.

Para verificar se os machos com este par de genes podem se reproduzir com um pouco de ajuda, Ward e seus colegas injetaram essas espermátides diretamente em óvulos. Conclusão: os pesquisadores fertilizaram os óvulos com o método, que resultou em crias viáveis, i.e., capazes de sobreviver.

A equipe enfatizou que o cromossomo Y inteiro provavelmente seja necessário para a reprodução normal, já que outros genes ajudariam no amadurecimento total dos espermatozoides.

“Nós não estamos tentando eliminar os cromossomos Y com nosso trabalho — ou os homens, no caso”, afirmou Ward ao LiveScience. “Estamos apenas tentando entender quanto do cromossomo Y é necessário, e para que”.

As crias fêmeas resultantes deste método de reprodução eram férteis, capazes de dar à luz filhotes saudáveis. No entanto, os pesquisadores não testaram se os filhotes machos também poderiam ter crias viáveis — presumivelmente, estes machos não estariam aptos a ter descendentes da forma convencional, mas suas espermátides também podem ser capazes de fertilizar óvulos se forem injetadas diretamente neles, conclui Ward.

Os estudiosos observaram que estas descobertas podem não se confirmar em humanos. Ainda assim, Ward especula que o sucesso da injeção de espermátides visto neste trabalho possa apoiá-lo enquanto opção para a superação da infertilidade masculina no futuro. “Ele pode oferecer a homens, de outra maneira, inférteis, a possibilidade de ter filhos”, disse Ward.

O próximo objetivo dos cientistas é verificar quantos genes do cromossomo Y são necessários para gerar espermatozoides maduros que possam fertilizar óvulos sem assistência.

Fonte: LiveScience

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This entry was posted on 22 de Novembro de 2013 by in Biologia and tagged , , , , , .

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