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Jangadas de formigas-lava-pés navegam nas inundações

Uma jangada de formigas permanece na superfície da água mesmo quando é pressionada com um ramo, demonstrando que o organismo repele a água e flutua. Crédito: Nathon Mlot

Uma jangada de formigas permanece na superfície da água mesmo quando é pressionada com um ramo, demonstrando que o organismo repele a água e flutua.
Crédito: Nathon Mlot

O que se comporta como um sólido e um líquido, e é toda vermelha? Uma jangada de formigas-lava-pés, de acordo com pesquisas recentes que descrevem, pela primeira vez, a natureza física desse tipo de estrutura incomum.

A espécie Solenopsis invicta, popularmente conhecida como formiga-lava-pés, ou formiga-de-fogo, é conhecida pela picada dolorosa e é originária das florestas tropicais do Brasil, onde os altos índices pluviométricos podem provocar inundações diariamente. A fim de se manterem unidas enquanto colônia durante os dilúvios, as lava-pés “engancham” suas pernas e bocas para criar um material vivo e à prova d’água que flutua por horas, ou mesmo semanas, se necessário, até que o nível da água baixe.

Essas jangadas de lava-pés contêm quase 200 corpos por polegada quadrada (6,5 centímetros quadrados) e, geralmente, atingem o tamanho de pequenos pratos. As formigas ficam ligadas de forma a se reunirem rapidamente no caso de uma emergência, e podem organizar milhares de corpos em menos de dois minutos, segundo o pesquisador David Hu, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, que há anos estuda as jangadas e as descreve como um tecido vivo.

“Elas atuam juntas, e há tantas delas, que realmente se tornam um único material”, disse Hu ao portal LiveScience. Ele e sua equipe conduziram os primeiros experimentos para calcular as propriedades físicas dessas jangadas, buscando fornecer dados a cientistas de materiais interessados na criação de estruturas semelhantes para a robótica e, potencialmente, a construção.

Usando um instrumento chamado reômetro — que mede a resistência de um material ao movimento e é empregado na verificação da viscosidade de produtos de consumo, como xampus e chocolates — a equipe mediu e comparou as características físicas de grupos de formigas-lava-pés vivas e mortas.

Descobriu-se que as lava-pés vivas dentro de uma jangada constantemente rearranjavam a si mesmas em resposta a forças externas, tais como cutucões com um graveto, no laboratório, ou uma gota de chuva, na natureza. Este rearranjo permite à jangada recuperar a forma original elasticamente, como se fosse borracha, quando uma força é removida.

“Não importa o que você faça, elas estão sempre rearranjando seus corpos para responder a tensões”, afirmou Hu. O pesquisador explica que, no local onde são pressionadas, as formigas inicialmente se portam como um sólido; porém, mantendo-se a pressão, elas também fluirão e responderão, como poucos materiais são capazes de fazer (assista ao vídeo abaixo).

Esta capacidade de reação faz com que as lava-pés possam superar obstáculos que podem encontrar enquanto flutuam, como pequenas pedras ou ondas que irrompem nas poças, sugere Hu.

Por outro lado, os cientistas descobriram que as formigas-lava-pés mortas se comportavam apenas como sólidos, e eram imediatamente descartadas das jangadas, pois punham em risco a integridade do superorganismo.

Tendo elaborado uma série de equações que descreve o movimento das jangadas, Hu acredita que o trabalho da sua equipe beneficiará esforços em andamento para a criação de robôs auto-agrupáveis, que podem ser dispostos em espaços apertados para realizarem medições em locais de difícil acesso ou, até mesmo, materiais auto-regeneráveis que, se aplicados a uma ponte quebrada, por exemplo, podem preencher fissuras e prevenir danos adicionais.

A equipe apresentou seus achados ontem (26) na reunião anual da Divisão de Dinâmica de Fluidos da Sociedade Física Americana, em Pittsburgh.

Fonte: LiveScience

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This entry was posted on 27 de Novembro de 2013 by in Biologia and tagged , , , .

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