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Nova espécie de gato selvagem descoberta no Brasil

O gato-do-mato é, na realidade, duas espécies distintas, afirmam pesquisadores em um novo estudo. Foto: Tadeu Oliveira

O gato-do-mato é, na realidade, duas espécies distintas, afirmam pesquisadores em um novo estudo. Foto: Tadeu Oliveira

Ainda há muito a ser descoberto a respeito dos gatos selvagens, é o que sugere a identificação de uma nova espécie de felino, conhecida como gato-do-mato, no nordeste do Brasil. Cientistas descobriram que duas populações de gatos-do-mato, ao contrário do que se imaginava, não constituem uma única espécie: elas não intercruzam e, portanto, são distintas, de acordo com dissertação publicada no periódico Current Biology.

“Muito ainda é desconhecido acerca do mundo natural, mesmo em grupos que, supostamente, estão bem caracterizados, tal como os felinos”, diz Eduardo Eizirik, autor do estudo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). “De fato, há muitos aspectos que ainda não conhecemos sobre os gatos selvagens, da sua exata distribuição geográfica à sua dieta”.

Os resultados do estudo de Eizirik têm impacto sobre os esforços de conservação, em particular, sobre as leis que criminalizam a caça e a designação de parques nacionais, medidas que geralmente se concentram em uma espécie individual. Reconhecer o gato-do-mato do nordeste como uma espécie distinta significa que os biólogos terão de avaliar seu estado de conservação e determinar quais passos serão necessários para que ambas as espécies sejam adequadamente protegidas.

Relacionamento antigo

Eizirik e sua equipe não estavam procurando por uma espécie nova. Na verdade, tentavam entender a história evolutiva de três espécies de felinos do gênero Leopardus:

  • o colocolo (Leopardus colocolo) se parece com um gato doméstico comprido e de pelos longos. Ele vive nas pradarias e matagais da porção ocidental da América do Sul, do sul da Argentina e do Chile ao Peru e Equador;
  • o gato-do-mato-grande (Leopardus geoffroyi) tem quase o mesmo tamanho do colocolo, e possui uma pelagem ocre ou cinza, manchas pretas no tronco e faixas escuras na cauda e nos membros. Assim como o colocolo, ele habita matagais e vive na Argentina;
  • o gato-do-mato (Leopardus tigrinus), também conhecido como gato-do-mato-pintado, vive nas Américas Central e do Sul. Com uma pelagem ocre e e pintas pretas, este animal se parece com um leopardo do tamanho de um gato doméstico. Pesquisadores haviam identificado quatro subpopulações de gato-do-mato, inclusive o gato-do-mato do sul, que vive principalmente nas florestas montanhosas do Brasil, e o gato-do-mato do nordeste, que vive em savanas e pradarias. A pelagem do animal nordestino é ligeiramente mais leve e possui pintas menores do que a do seu primo sulista.

Eizirik e seus colegas recolheram amostras de DNA de um total de 216 diferentes felídeos do gênero Leopardus. Análises de sequências de material genético encontradas nas mitocôndrias revelaram um intercruzamento antigo entre o colocolo e o gato-do-mato do nordeste. Já que um indivíduo herda seu DNA mitocondrial apenas da mãe, os cientistas puderam sondar a história antiga desses dois felinos, e descobriram que eles cruzavam frequentemente antes que os dois gatos se dividissem em espécies distintas.

Apesar de o gato-do-mato-grande e o gato-do-mato do sul terem se dividido em espécies separadas há mais de um milhão de anos, eles começaram a cruzar, em um passado mais recente, em regiões do sul do Brasil e na Bolívia, áreas nas quais seus habitats coincidem. Mesmo que os dois gatos se intercruzem regularmente nestas áreas de contato, o cruzamento não se estende a outras regiões e as duas espécies se mantêm separadas.

Os conhecidos desconhecidos

Quando Eizirik e seus pares analisaram a genética das duas populações diferentes de gatos-do-mato, entretanto, foram surpreendidos por aprender que os genes não pareciam se movimentar entre os felinos do nordeste e os do sul.

“Esta observação implica que essas populações de gato-do-mato não estão intercruzando, o que nos levou a reconhecê-las como espécies distintas”, diz Eizirik. Os pesquisadores sugeriram que o animal nordestino retenha o nome atual, L. tigrinus, enquanto que a sulista seja chamada L. guttulus.

“Muito pouco era — e ainda é — conhecido sobre esta espécie”, afirma Eizirik. “Têm havido alguns estudos iniciais sobre sua dieta mas, ainda assim, a maior parte da sua biologia básica permanece pouco conhecida, inclusive a densidade, o uso do habitat e as tendências populacionais”.

Fonte: National Geographic

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This entry was posted on 28 de Novembro de 2013 by in Biologia and tagged , , , , , , .

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