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Descoberto um ancestral dos tigres, leões e ursos

O Dormaalocyon latouri, ancestral dos mamíferos carnívoros, viveu na Europa há 56 milhões de anos. Ilustração: Charlène Letenneur (MNHN) e Pascale Golinvaux (RBINS)

O Dormaalocyon latouri, ancestral dos mamíferos carnívoros, viveu na Europa há 56 milhões de anos. Ilustração: Charlène Letenneur (MNHN) e Pascale Golinvaux (RBINS)

Todos os mamíferos carnívoros modernos leões, ursos e seu cão, ou gato, de estimação — descendem de uma mesma linhagem animal, cujas origens se perdem no tempo. Agora, cientistas descobriram na Bélgica um dos ancestrais mais antigos dos carnívoros modernos. A nova espécie, Dormaalocyon latouri, vivia em árvores, pesava cerca de 1 kg e se alimentava de insetos e pequenos mamíferos.

“Não foi assustador. Foi espantoso”, disse o pesquisador Floréal Solé, paleontólogo do Instituto Real de Ciências Naturais da Bélgica em Bruxelas. Solé acredita que o D. latouri seja uma pista sobre as origens dos mamíferos carnívoros atuais:

“É um dos mamíferos carnívoros mais antigos a ser relacionado com os carnívoros atuais”, disse ele ao portal LiveScience.

Um pouco de história

Os carnívoros modernos descendem de um único grupo, um dos quatro grupos de mamíferos carnívoros encontrados nos períodos Paleoceno e Eoceno, de acordo com Solé. O Paleoceno está compreendido entre 66 e 56 milhões de anos atrás, e o Eoceno, entre 56 e 33,9 milhões de anos atrás.

Os carnivoraformes, como são conhecidos, se dispersaram durante o Eoceno, porém, dada a ausência de fósseis anteriores a isto, os paleontólogos estão inseguros quanto a suas origens. Solé e seus colegas examinaram fósseis do princípio do período Eoceno extraídos em Dormaal, Bélgica. O sítio paleontológico foi descoberto no final do século XIX, e as escavações ali já renderam 40 espécies de mamíferos.

Outro pesquisador do Instituto Real, Richard Smith, identificou quase 14 mil dentes retirados do solo de Dormaal. Entre eles estão 280 novos espécimes de dentes pertencentes a uma espécie à qual apenas dois molares haviam aludido previamente. Com as novas informações dos dentes (de filhotes, inclusive) e alguns ossos do tornozelo, Solé, Smith e seus pares descreveram a espécie no periódico Journal of Vertebrate Paleontology.

Ossos do tornozelo (acima, à esquerda) e dentes de leite (centro, abaixo) e permanentes (abaixo, à direita) levaram à identificação da nova espécie. Ilustração: Charlène Letenneur (MNHN) e Pascale Golinvaux (RBINS)

Os fósseis dos ossos do tornozelo revelam que o Dormaalocyon corria pelas árvores de um ambiente, então, úmido, típico de floresta subtropical. O animal provavelmente se parecia com o cruzamento entre uma pequena pantera e um esquilo, possuindo uma longa cauda e um focinho de felino.

Reconstruindo a família dos carnívoros

O estudo confirma trabalhos anteriores, sugerindo que os carnívoros surgiram durante o Paleoceno, antes da época do Dormaalocyon, disse Gregg Gunnell, do Duke Lemur Center, na Carolina do Norte, que não se envolveu na pesquisa. Segundo Gunnell, o estudo “realmente mostra que havia muita diversidade nos princípios do Eoceno, e não temos absolutamente nenhuma ideia de onde ela veio”.

Parte do desafio de desvendar a história dos carnívoros consiste no fato de que, em geral, os mamíferos carnívoros não são tão comuns, disse Gunnell. Existem muito mais herbívoros e onívoros no planeta e, portanto, nos registros fósseis.

A origem geográfica dos carnivoraformes permanece indecifrada. Uma teoria sugere que eles tenham surgido na América do Norte e se espalharam pela Europa, mas Solé pondera que as relações entre os fósseis de Dormall indiquem uma situação mais complexa, sendo possível que o grupo tenha se originado na Ásia e habitado a América do Norte passando pela Europa.

Todavia, os registros fósseis atuais não deixam claro o modo como se deu a evolução dos carnivoraformes. Solé e seus colegas publicarão um artigo a respeito de um novo sítio paleontológico francês do fim do Paleoceno — bem como de um novo carnívoro descoberto lá — que pode conter respostas.

“Precisamos encontrar alguns depósitos do Paleoceno que rendam algum tipo de ancestrais desses carnivoraformes”, disse Gunnell. “Falta-nos um bocado de informações”.

Fonte: LiveScience

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This entry was posted on 7 de Janeiro de 2014 by in Paleontologia and tagged , , , , , , .

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