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Pesquisadores afirmam que o consumo de cafeína melhora a memória humana

O uso regular de cafeína altera a composição química do seu cérebro, levando à fadiga, enxaquecas e náusea se você tentar parar. Foto por jamesjoel - Flickr.

Foto: jamesjoel – Flickr.

O hábito de ingerir doses de cafeína — seja em uma xícara de café, seja em um copo de refrigerante — é o estímulo escolhido por milhões de pessoas na hora de acordarem ou para permanecerem acordadas. Agora, pesquisadores da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, alegam que a cafeína tem mais uma propriedade: a de aprimorar a memória.

O pesquisador de ciências psicológicas Michael Yassa, da John Hopkins, e sua equipe chegaram à conclusão de que a cafeína exerce um efeito positivo sobre a memória de longo prazo nos humanos. Sua pesquisa se encontra detalhada em artigo no periódico Nature Neuroscience, e demonstra que a substância melhora certos tipos de memória por, no mínimo, 24 horas após o consumo.

Yassa afirma que os efeitos da cafeína sobre a memória humana nunca haviam sido estudados tão detalhadamente quanto na pesquisa atual. “Nós reportamos, pela primeira vez, um efeito específico da cafeína na redução do esquecimento após 24 horas”, diz.

A pesquisa consistiu em um experimento duplo-cego, no qual os participantes, que não consumiam produtos cafeinados regularmente, recebiam um placebo ou uma pastilha de cafeína, de 200 miligramas (equivalente ao consumo de duas xícaras pequenas de café, ou uma xícara de café forte), cinco minutos depois de estudarem uma série de imagens. Foram retiradas amostras da saliva dos participantes antes que ingerissem a pastilha, para que pudessem ser medidos seus níveis de cafeína. Também foram obtidas amostras uma, três e 24 horas depois da ingestão.

No dia seguinte, a habilidade de reconhecimento de imagens dos dois grupos foi testada. Algumas das imagens apresentadas no teste eram idênticas às do dia anterior, outras eram absolutamente novas e outras, ainda, eram semelhantes, mas não iguais às vistas previamente. Mais membros do grupo que ingeriu a cafeína foram capazes de identificar corretamente as novas imagens como “similares” às anteriores, ao invés de afirmarem — incorretamente — que tais imagens eram idênticas às da sessão de estudo.

A habilidade cerebral de reconhecer a diferença entre dois itens similares, mas não idênticos, chamada de separação de padrões, reflete um nível mais profundo de retenção de memória, de acordo com os pesquisadores. “Se usássemos uma tarefa-padrão de memória recognitiva sem esses itens similares complicados, não teríamos encontrado qualquer efeito da cafeína”, diz Yassa. “Entretanto, usar esses itens requer que o cérebro faça uma discriminação mais difícil — o que chamamos de separação de padrões, que parece ser o processo melhorado pela cafeína, no nosso caso”.

O hipocampo (em vermelho), área do cérebro humano que atua na formação de memórias de curto e longo prazo.

O centro da memória no cérebro humano é o hipocampo, região localizada no lobo temporal medial do cérebro. O hipocampo é um regulador das memórias de curto e longo prazo, e a maior parte das pesquisas realizadas com a memória, por exemplo, as relacionadas à demência, estão focadas neste região cerebral.

Os efeitos de longo prazo da cafeína haviam sido testados em poucos estudos. O consenso extraído a partir deles foi o de que o composto exerce pouco, ou nenhum, efeito sobre a retenção de memória no longo prazo. No entanto, a pesquisa atual se diferencia das anteriores por ter fornecido as cápsulas de cafeína aos participantes apenas depois de estes terem estudado as imagens apresentadas, explica Yassa: “Quase todos os estudos prévios administraram a cafeína antes da sessão de estudo, então, se houvesse uma melhora, não ficaria claro se ela se deve aos efeitos da cafeína sobre a atenção, vigilância, foco ou outros fatores. Administrando a cafeína após o experimento, nós excluímos todos esses efeitos e nos certificamos de que, se houvesse uma melhora, ela seria devida à memória e a nada mais”.

Agora, a equipe de Yassa planeja descobrir os mecanismos cerebrais que permeiam esta melhora da memória. “Podemos usar técnicas de imagiologia cerebral para nos dedicarmos a essas questões. Também sabemos que a cafeína está associada com a longevidade saudável e que pode ter alguns efeitos de proteção contra o declínio cognitivo, como o mal de Alzheimer. Essas são questões certamente importantes para o futuro”.

Fonte: MedicalXpress

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This entry was posted on 13 de Janeiro de 2014 by in Medicina and tagged , , , , , .

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