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O despertar da sonda Rosetta, a caçadora de cometas

Impressão artística do momento em que a sonda Rosetta lança o aterrissador Philae na direção do cometa P67. Crédito: ESA–C. Carreau/ATG medialab

Impressão artística do momento em que a sonda Rosetta lança o aterrissador Philae na direção do cometa P67. Crédito: ESA–C. Carreau/ATG medialab

Depois de viajar 6,2 bilhões de quilômetros, ser impulsionada quatro vezes nas órbitas da Terra e de Marte — três vezes e uma vez, respectivamente — e de ter se encontrado com dois asteroides, a sonda Rosetta dormiu. Hoje, 957 dias depois, um alarme interno a despertou e deu início à fase final de sua odisseia, que já dura dez anos.

O processo de reaquecimento e reativação dos sistemas da sonda levou algumas horas para se concretizar e, após posicionar seus painéis solares na direção do Sol e sua antena de comunicação na direção da Terra, a Rosetta enviou um sinal aos pesquisadores, recebido às 16:17 no horário brasileiro de verão (18:17 da Hora de Greenwich), cerca de 45 minutos depois. O sinal confirmou aos controladores da Agência Espacial Europeia (ESA) em Darmstad, Alemanha, que os sistemas automáticos da espaçonave estavam em pleno funcionamento.

A partir de agora, o satélite vai à caça: a espaçonave precisa realizar o feito inédito de orbitar um cometa enquanto este se aproxima do Sol, obtendo diversos tipos de medições conforme os raios solares e o vento solar (emissão contínua de partículas carregadas provenientes da estrela) o aquecem e transformam parte do seu material na cauda característica dos cometas.

Missões anteriores, como a Giotto, da ESA, e a Stardust, da NASA, foram passagens de curta duração que captaram apenas algumas horas da vida de um cometa. Já a Rosetta seguirá unida ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko por mais de 18 meses, tempo suficiente para registrar a passagem pelo periélio, ponto da órbita do cometa mais próximo do Sol.

As observações científicas devem começar em maio, assim que a sonda sincronizar sua própria órbita com a do 67P. Tais observações consistirão no uso de câmeras e espectrômetros que capturam vários comprimentos de onda, espectrômetros de massa, sensores químicos e aparelhos de sondagem. Chris Carr, pesquisador do Imperial College London e principal operador de um conjunto de instrumentos denominado Rosetta Plasma Consortium (Consórcio de Plasma Rosetta), espera que seus instrumentos sejam os primeiros a detectar o momento em que o vento solar começar a fazer com que gases sejam expelidos da superfície do cometa.

A luz ultravioleta do Sol tende a ionizar estes gases, deixando um rastro de plasma. Então, quanto mais se aproximar da estrela, mais o cometa se aquecerá, e maior será a produção de uma atmosfera composta por gás, poeira e plasma, denominada coma. Segundo Carr, “[t]eremos uma história completa da evolução temporal do ambiente plasmático [do P67]. O plasma de um cometa é completamente diferente do de um planeta”.

Concepção artística do Philae na superfície do cometa. O aterrissador pode escavar até 23 cm de rocha para obter amostras e analisá-las no laboratório a bordo. Crédito: ESA/ATG medialab

Concepção artística do Philae na superfície do cometa. O aterrissador pode escavar até 23 cm de rocha para obter amostras e analisá-las no laboratório a bordo. Crédito: ESA/ATG medialab

Para novembro está programada a entrada em operação de um aterrissador. O Philae, como foi batizado, deixará a Rosetta e tocará a superfície do cometa, fincando nela um arpão para que se estabilize, pois o cometa não produz atração gravitacional suficiente. Será possível, para o Philae, extrair uma amostra do material que se encontra alguns centímetros abaixo da superfície, fato que deverá revelar aspectos da composição do objeto cruciais para a compreensão da formação do nosso sistema solar, uma vez que os cometas, por se formarem nas extremidades do sistema solar, são relíquias do material que originalmente compôs os planetas. Matt Taylor, projetista da missão, Rosetta, também acredita que “a composição elementar do cometa pode ser considerada ‘coisa de estrela’ — ela nos dará conhecimento sobre os processos de formação do próprio Sol”.

Ainda, a análise deste material nos ajudará a elucidar o tipo de influência que os cometas tiveram sobre a evolução da Terra. Alguns modelos sugerem que o nosso planeta deveria ter menos água do que realmente possui, e certos teóricos propõem que os cometas possam ter se chocado contra a Terra e depositado a água que continham. O aterrissador têm a capacidade de medir as quantidades relativas de um isótopo do hidrogênio, o deutério, na água do cometa. Se a proporção de deutério for semelhante à observada na água da Terra, a teoria de que os cometas a trouxeram ganhará uma nova evidência.

Fontes: Science, BBC

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This entry was posted on 20 de Janeiro de 2014 by in Astronomia and tagged , , , , , , , , .

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