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Supernova detonada em galáxia próxima

Brilho intenso da supernova possibilitou que ela fosse avistada por um telescópio convencional. O fenômeno, um dos mais próximos desde 1987, poderá ser visto por binóculos em duas semanas.

A galáxia Messier 82, lar de uma nova supernova tipo Ia descoberta. Imagem: NASA, ESA, e The Hubble Heritage Team (STScI/AURA)

A galáxia Messier 82, lar de uma nova supernova tipo Ia descoberta. Imagem: NASA, ESA, e The Hubble Heritage Team (STScI/AURA)

A luz de uma supernova chegou aos olhos dos astrônomos nesta semana, tendo sua origem na galáxia Messier 82, a cerca de 11,4 milhões de anos-luz (3,5 megaparsecs) da Terra. Ela é um dos eventos desta classe mais próximos e mais brilhantes do nosso ponto de vista desde que uma irrupção gigantesca ocorreu no ano de 1987. (Na verdade, a real época da ocorrência deu-se há 168 mil anos, dada a distância de igual módulo, em anos-luz, percorrida pela luz emitida pelo objeto em seu caminho até nós.) Os astrônomos afirmam que a supernova mais recente se trata de uma do tipo Ia, e que ela pode nos ajudar a entender melhor o processo de formação das explosões estelares.

Comparação entre uma observação da M82 anterior à descoberta da supernova (10 de dezembro de 2013; acima) e uma do dia 21 de janeiro de 2014 (abaixo), com o local desta marcado pelas linhas retas. Crédito: UCL/University of London Observatory/Steve Fossey/Ben Cooke/Guy Pollack/Matthew Wilde/Thomas Wright

Na noite de terça-feira (21 de janeiro), Steve Fossey, astrônomo da University College London, dava aula a seus alunos com o auxílio de um telescópio de 35 centímetros (diâmetro de lente comum para pequenos observatórios). Assim que as imagens da M82, também conhecida como Galáxia do Charuto, apareceram, Fossey percebeu que havia algo diferente: uma estrela na borda do disco galáctico, não reconhecida pela sua memória, nem em imagens procuradas na internet. Depois de checar se havia algum defeito no aparelho e de confirmar a descoberta do objeto com outro telescópio do observatório, o cientista comunicou o fato aos seus colegas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech).

O estudante de pós-graduação do Caltech Yi Cao analisou o espectro do objeto através de um espectrômetro localizado no estado do Novo México e informou suas conclusões ao Astronomer’s Telegram, serviço de notificações da categoria. Segundo Cao, o espectro é compatível com o de uma supernova tipo Ia que brilharia por mais duas semanas. Até lá, ela será visível com o uso de binóculos.

Enquanto a supernova de 1987 resultou do colapso do núcleo de uma estrela gigante, sendo, portanto, considerada do tipo II, as supernovas de tipo Ia parecem ser formadas quando parte do material de uma estrela companheira é agregado por uma anã branca — estrela que já perdeu sua massa excessiva —, ultrapassando um limite crítico, o que dá início a uma explosão termonuclear. Uma teoria recente sugere que o material extra não venha de uma estrela normal ou grande e seja “engolido” pela anã branca, mas que decorra da fusão de duas anãs brancas (saiba mais a respeito desta hipótese no artigo “Nova teoria pode explicar a formação de supernovas”, publicado neste mesmo espaço). O fato de ter havido uma supernova tipo Ia na M82 também surpreende os astrônomos, pois as anãs brancas são estrelas velhas, ao passo que a galáxia é famosa por ser um local de intensa formação de estrelas.

Os pesquisadores vão monitorar a maneira como a supernova brilha para que possam obter medições de distância bastante precisas. Estes eventos são considerados “velas padrão” do cosmos, ou seja, fitas métricas utilizadas pelos astrônomos, graças à variação no espectro luminoso que ocorre conforme um objeto se aproxima ou se afasta da posição do observador (Efeito Doppler). A própria descoberta da energia escura, força oculta que acelera a expansão do universo, se deve à observação das velas padrão.

A proximidade da M82 indica a existência de imagens capturadas anteriormente à formação da supernova. Tais imagens serão analisadas por Cao e outros pesquisadores com o objetivo de se encontrar o que havia na região da explosão. Ainda, a luz da supernova deve iluminar a galáxia, possibilitando o estudo das estruturas escondidas sob a intensa poeira que a envolve. O pesquisador do Caltech Shri Kulkarni, por exemplo, acredita que a poeira “tem seu próprio charme”.

Fonte: Nature

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2 comments on “Supernova detonada em galáxia próxima

  1. bia
    23 de Janeiro de 2014

    post super interessante! achei muito legal seu blog

    • Make It Clear Br
      23 de Janeiro de 2014

      Muito obrigado, bia! Visite sempre que quiser! Quer saber um segredo? O blog vai ficar ainda melhor daqui a pouco tempo, então fique ligada!

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This entry was posted on 23 de Janeiro de 2014 by in Astronomia and tagged , , , .

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