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Afinal, qual é a idade do Grand Canyon?

Algumas partes do cânion têm dezenas de milhões de anos de idade; outras, são bem mais jovens. Já a integração entre elas parece ser recente.

O Marble Canyon, na porção leste do Grand Canyon, Arizona, tem entre 5 e 6 milhões de anos. Foto: Tom Bean/CORBIS

O Marble Canyon, na porção leste do Grand Canyon, Arizona, tem entre 5 e 6 milhões de anos. Foto: Tom Bean/CORBIS

“Acho que resolvemos o debate de 140 anos de duração a respeito da idade do Grand Canyon”. Quem diz estas palavras é Karl Karlstrom, geólogo da Universidade do Novo México em Albuquerque, nos Estados Unidos, que descreveu o estudo que realizou nos famosos paredões de rocha no periódico Nature Geoscience. A pesquisa dele contraria estudos anteriores por sugerir que o formato atual do cânion tenha surgido entre 5 e 6 milhões de anos atrás, quando desfiladeiros menores se uniram em torno do Rio Colorado.

Os geólogos concordam que as camadas coloridas de rocha que constituem as paredes do cânion, localizado no estado norte-americano do Arizona, são muito antigas, datando de até 1,8 bilhões de anos. No entanto, a discussão é acirrada quando se refere a um número diferente: quando exatamente o Rio Colorado começou a esculpir a rocha, formando o abismo que os turistas admiram hoje?

Pensavam os especialistas que o Grand Canyon tenha se formado há cerca de 5-6 milhões de anos, porém, recentemente, diversos estudos declararam haver evidências geológicas suficientes para crer que ele tenha dezenas de milhões de anos. Karlstrom e sua equipe descobriram que partes do cânion podem, sim, ter esta idade mais avançada, mas o fenômeno geológico é, em sua totalidade, muito mais jovem.

Desvendando a história geológica

É possível datar a formação de um cânion através do uso de técnicas geoquímicas que medem a temperatura das rochas com o passar do tempo: quanto mais profunda uma rocha está, mais quente é. Quando a erosão retira as camadas que a encobriam, como quando um desfiladeiro se forma, a rocha fica mais próxima da superfície e resfria. Então, como determinar o histórico de temperatura da rocha? Para isto, entram em cena os grãos do mineral apatita.

A decomposição radioativa do urânio contido na apatita produz átomos de hélio que, dependendo da temperatura desta, se difundem pela rocha. (Quando a apatita se encontra a temperaturas mais altas do que 50º Celsius, o hélio escapa; conforme ela resfria, o hélio permanece no mineral.) Em 2012, os geólogos Rebecca Flowers, da Universidade do Colorado, e Kenneth Farly, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), empregaram esta e outras técnicas, e concluíram que algumas das rochas expostas em partes do cânion devem estar resfriadas há até 70 milhões de anos. Isto significa que elas devem estar na superfície ou, no mínimo, perto desta durante todo esse tempo, indicando que o Grand Canyon existe há 70 milhões de anos.

A mesma técnica de decomposição radioativa do urânio foi utilizada no estudo de Karlstrom e seus pares. A equipe descobriu que duas extensões de rocha próximas ao meio do cânion são, de fato, muito antigas: o leste do Grand Canyon tem entre 15 e 25 milhões de anos, e outra porção dele tem 50-70 milhões de anos de idade. Entretanto, os pesquisadores também encontraram dois outros segmentos Marble Canyon (Cânion de Mármore), rio acima, e a porção mais ocidental do cânion — que foram esculpidos mais recentemente. “Diferentes segmentos do cânion têm diferentes histórias e diferentes idades, mas eles não se uniram para formar o Grand Canyon, com o Rio Colorado correndo em meio a eles, até 5 ou 6 milhões de anos atrás”, explica Karlstrom.

Flowers aponta que o grupo de Karlstrom obteve datas de hélio semelhantes às suas para a porção ocidental do cânion, mas, mesmo assim, os grupos chegaram a conclusões totalmente distintas quanto ao significado dos dados: “Vai levar mais tempo para que se compreenda completamente por que as interpretações deles são tão diferentes das nossas”, diz. A variação de interpretações pode derivar de premissas distintas. Alguns estudos, por exemplo, assumem que a temperatura do solo na superfície é de 25º C, enquanto que a equipe de Karlstrom usou um escopo de temperatura que variou entre 10-20 graus. Esta mudança se torna um problema quando da interpretação do tempo pelo qual a apatita está enterrada.

Karlstrom, por outro lado, afirma fazer mais sentido aplicar uma variação de temperaturas de superfície, já que elas provavelmente mudaram muito ao longo de milhões de anos. Ao contrário da fala do pesquisador citada no início deste artigo, parece que muita água ainda vai rolar neste debate.

Fonte: Nature

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This entry was posted on 27 de Janeiro de 2014 by in Geologia and tagged , , , , , .

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